A eleição para presidente até agora está sendo disputada em grande parte na delegacia, nos corredores do sistema de Justiça. Está evidente no embate entre André Mendonça e o enroladíssimo Alexandre de Moraes, ambos com conexões fortes na Polícia Federal e na política politiqueira. Ficou evidente no pinga-pinga das investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha das más companhias, no mínimo.

Está evidente na dosagem de vazamentos que até agora acertam mais em Luiz Inácio Lula da Silva. A PF se profissionalizou de fins dos anos 1990 a 2018. Agora, há de novo grupos da fuzarca, uns pró-Bolsonaro, uns pró-Lula.Dos atuais dez ministros do STF, três foram Advogados-Gerais da União (AGU): Gilmar Mendes (de Fernando Henrique Cardoso), Dias Toffoli (de Lula) e André Mendonça. Um foi ministro da Justiça e AGU: Mendonça, de Jair Bolsonaro.

Outros dois foram ministros da Justiça: Alexandre de Moraes (Michel Temer) e Flávio Dino (Lula). Um outro ministro seria ex-AGU, Jorge Messias, barrado pelo Congresso e por erro soberbo de Lula. Se perder, Lula deixará quatro cadeiras no STF para o próximo presidente.

Metade do Supremo é composta, pois, por pessoas que foram da confiança de um presidente da República e com "bases" na PF ou no jogo político-judiciário. Ter sido ministro de governo não é suspeita ou prova de desqualificação e partidarismo (Toffoli foi do colo de Lula para os braços de Bolsonaro). Mas é risco político aumentado.A politização do STF aumentou também por causa do que vai se chamar sumária e grosseiramente de judicialização da política. A corrupção federal (de petistas e, especialmente, de seus então aliados do centrão-direitão) e a revolta com as vitórias petistas nas urnas tiveram seu papel. Integrantes do STF passaram a fazer parte dos acordões político-partidários.