A eleição presidencial de 2026 será decidida na delegacia, influenciada por rolos policiais e judiciais que afetam em maior ou menor grau as candidaturas principais?

Até aqui, o grosso das preferências está definido pela aversão a Bolsonaros ou a Luiz Inácio Lula da Silva. No grupo menor de eleitores oscilantes, o escândalo da vez parece levar uns três pontos percentuais de votos para lá ou para cá. A eleição vai ser isso, o balanço da aversão dos eleitores "nem-nem" (bolsonarista ou lulista) a imundícies ou à propaganda mais ou menos falsa da imundície adversária?Quase sempre sabemos do sentido da eleição depois de encerradas as apurações, o clichê do "recado das urnas". Isto é, sabemos de algo novo da opinião pública por meio dos tamanhos das votações. Parece obviedade, mas não prestamos atenção a essa afirmação acaciana enquanto tentamos prognosticar o que vai sair das urnas.

A ascensão de Jair Bolsonaro em 2018 tinha um tanto de surpresa, até mesmo para boa parte do establishment, embora o alerta de tsunami tocasse desde fins de 2017, quando o candidato começava a ser normalizado pela elite ou viralizava. A surpresa foi grande em especial nas reviravoltas no fim da campanha e no resultado parlamentar impressionante de direitas e "outsiders". Viu-se derrota ainda mais dura da esquerda e o massacre do centro tucano ou atucanado. Desde então, a desconexão entre o grosso das elites tecnocráticas e programáticas e partidos apenas aumenta.