Se é precipitado fazer apostas definitivas sobre o resultado da eleição presidencial que acontecerá daqui a quatro meses, soa a temeridade mergulhar em projeções sobre o cenário de 2030.

No entanto, é exatamente o que já se faz no mundo político, levando em conta dois fatores: o fim do ciclo de êxitos do PT e a longevidade da era de influência da franquia Bolsonaro no poder central.

As forças que se movimentam no hoje estreito espaço entre os dois polos de direita e esquerda atuam com um olho no peixe da corrida atual e outro no gato do que pode, ou não, vir a ser uma renovação no cardápio de opções e nos critérios de escolhas do eleitorado ainda pautado por estimas e rejeições extremadas.

Começa a circular no centro, na centro-direita e até na direita interessada em se livrar no jugo do bolsonarismo a seguinte ideia: a se confirmar o quadro de disputa entre Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) seria melhor para os negócios futuros investir na reeleição de Lula.

Por essa avaliação, o PT reassumiria o governo enfraquecido no quesito expectativa de poder que já estaria em disputa no dia seguinte à posse. Já no caso da vitória de Flávio Bolsonaro, o Palácio do Planalto estaria entregue ao reinício de um ciclo de domínio do clã. Com anistia ao ex-presidente e perspectiva de reaglutinação de forças.