Eleições 2026

O Brasil irá às urnas em outubro diante de um cenário cristalizado de divisão radicalizada da sociedade entre as forças democráticas e a extrema-direita. Esse quadro político, aparentemente, não é um fenômeno tão passageiro quanto se pensava e talvez se possa dizer que é o “novo normal” na América Latina, como têm demonstrado as recentes eleições no Equador, Chile, Colômbia e Peru.

O processo eleitoral brasileiro ocorrerá em meio a uma mudança de paradigma na política externa dos EUA, que volta a priorizar o cone sul e a se utilizar de todas as formas de pressão – diplomáticas, econômicas e bélicas – para garantir sua influência na região e impor seus desígnios aos países do continente.

A reação de Donald Trump ao acelerado avanço global da China tem levado a medidas de desorganização das regras de comércio internacional, fomento a conflitos regionais com impactos econômicos e geopolíticos, como na guerra contra o Irã, e intervenções em nações soberanas, seja diretamente, como na Venezuela; por meio do estrangulamento, como em Cuba; ou pela imposição de tarifas como retaliação política, caso do Brasil.

Nesse contexto desafiador, o povo brasileiro novamente se depara com um dilema existencial: cerrar fileiras na defesa de valores civilizatórios e humanistas, resguardar a soberania nacional como bem irrenunciável e inegociável ou sucumbir à barbárie e renunciar à independência, relegando o País à condição de títere do imperialismo norte-americano.