Em guerra aberta, Mendonça e Moraes sabem que resultado da urna também definirá futuro da Corte — e deles próprios 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes no plenário do Supremo Tribunal Federal — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo Em conversa recente, um ministro do Supremo previu a chegada de um “setembro sangrento”. Falava da eleição presidencial, não da crise que estava por explodir na Corte. A um mês das urnas, é difícil encontrar a fronteira que deveria separar os dois assuntos. Tudo se mistura no noticiário e na cabeça do eleitor, bombardeado por cifras milionárias e sinais explícitos de corrupção. As novas suspeitas sobre o ministro Alexandre de Moraes inflamaram a militância bolsonarista. Depois do fiasco no lançamento da campanha em Copacabana, o PL espera usar o caso para arrastar uma multidão à Avenida Paulista no 7 de Setembro. A direita ganhou um mote para voltar a bradar por impeachment no Supremo. Pouco importa que Flávio Bolsonaro tenha pedido R$ 134 milhões ao mesmo Daniel Vorcaro que prometeu R$ 130 milhões ao escritório da mulher de Moraes. A semelhança entre as quantias oferecidas pelo dono do Banco Master é mais uma ironia mórbida do escândalo, que lançou uma nuvem de descrédito sobre a elite política e a cúpula do Judiciário. No Supremo, o clima é de bangue-bangue. André Mendonça atirou primeiro ao divulgar os diálogos que comprometem Moraes. Ontem Moraes revidou ao pedir que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente Edson Fachin, que não conseguia aprovar regras simples sobre viagens, presentes e palestras, agora se vê obrigado a arbitrar uma guerra aberta e sem precedentes da história do tribunal. Entrincheirados, Mendonça e Moraes não dão sinais de recuo. Os dois sabem que o resultado da eleição também definirá o futuro do Supremo — e de suas próprias trajetórias. Divulgada ontem, a nova pesquisa do Datafolha agravou a tensão em Brasília ao mostrar uma disputa emparelhada. Na simulação de segundo turno, Lula e Flávio aparecem em empate técnico: 46% a 44%. Setembro será sangrento. E está apenas começando.
O início de um setembro sangrento no Supremo e na eleição presidencial
Em guerra aberta, Mendonça e Moraes sabem que resultado da urna também definirá futuro da Corte — e deles próprios














