A revelação de que André Mendonça se reuniu em março de 2025 com o banqueiro Daniel Vorcaro impede o ministro do Supremo Tribunal Federal de prosseguir como relator das investigações sobre os esquemas do Banco Master, avalia Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da PUC de São Paulo e colunista de CartaCapital.
Mendonça partiu para o tudo ou nada contra o colega Alexandre de Moraes. Sob ordens do relator, a Polícia Federal produziu um documento de 218 páginas repleto de menções a diálogos entre Moraes e Vorcaro.
Em ato contínuo, ao levantar o sigilo da peça, Mendonça escreveu que o “caminho inevitável” dos autos será o plenário e que a deliberação deverá ser “pública e transparente”, em sessão presencial a ser agendada pelo presidente Edson Fachin.
Há, porém, um potencial obstáculo jurídico: a PF só pode investigar um ministro do STF com o aval do plenário da Corte. O procurador-geral da República, Paulo Gonet — também citado nas conversas de Vorcaro —, já defendeu anular o relatório, sob o argumento de que Mendonça não pode “valer-se da polícia judiciária como sua longa manus para atividades que não lhe foram assinaladas”. O ministro, por sua vez, poderá recorrer à alegação de que não investigou Moraes e que não sabia que o colega seria o interlocutor do banqueiro nos diálogos que mandou esclarecer.











