0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Queda no consumo das famílias no segundo trimestre em relação ao primeiro surpreendeu economistas — Foto: Shutterstock A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre, resultado um pouco acima da expectativa do mercado, de 0,4%. Houve crescimento em todos os setores, mas a alta foi mais forte na agropecuária, que avançou 2,8%. Serviços, com crescimento de 0,2%, e indústria, com alta de 0,1%, tiveram expansão próxima da estabilidade. O resultado positivo da indústria foi puxado pelo segmento extrativo, que cresceu 3,4%. Já a indústria de transformação, impactada pelos juros elevados, recuou 0,4%. O destaque negativo do PIB foi o consumo das famílias, que caiu 0,4% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, porém, o consumo ainda registra alta. O consumo do governo, por sua vez, cresceu 0,4% na comparação trimestral e 3,1% ante o mesmo período do ano passado. Na avaliação de Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, o crescimento do PIB no segundo trimestre ainda é positivo e compatível com a projeção de alta de 1,9% para o ano. Está todo mundo vendo a economia indo relativamente bem, mas desacelerando agora no segundo semestre. A gente enxerga à frente uma contribuição menor do agro, sob a indústria continua pesando com os juros e o governo estimulando menos a economia. Os dados que já temos de julho e agosto apontam para uma desaceleração ainda maior no terceiro trimestre. A projeção é de uma alta de 0,2% no terceiro trimestre. Ou seja, o segundo semestre do ano será de baixo crescimento. A economista Juliana Trece, coordenadora do Monitor do PIB do FGV Ibre, afirma que não esperava a retração do consumo das famílias no segundo trimestre. Para ela, o resultado é um forte indício de perda de força da economia, mesmo com o mercado de trabalho ainda aquecido. Na avaliação do economista Luis Otávio Leal, sócio da G5 Partners, a surpresa positiva do resultado do PIB foi a alta de 1,2% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos e é o indicativo quando se pensa em crescimento da economia no futuro. -A alta da FBCF tem a ver com investimentos na indústria extrativa e nos serviços de informação e comunicação, os dois setores que puxaram o PIB pelo lado da oferta, junto com o PIB agro - destaca Leal. Padovani pondera que o desempenho positivo da FBCF é compatível com a confiança do empresariado, que vinha em alta no segundo trimestre, e também com a produção de bens de capital. Para o terceiro trimestre, no entanto, a expectativa é de que esse resultado não se repita. A projeção é que o próximo trimestre seja ruim para a formação bruta, porque a confiança do empresariado está caindo. Caiu em julho, caiu em agosto, e a expectativa para os bens de capital também está recuando. A impressão é que a política monetária está produzindo seus efeitos graduais sobre a economia. Esses efeitos vão se acumulando e vão aparecendo. O mercado de crédito também não vai ajudar. A redução da contribuição do agro, a indústria de transformação ainda sofrendo os efeitos dos juros e a possível perda de força do consumo das famílias, em meio ao aperto monetário e às restrições de crédito, reforçam o cenário de desaceleração da economia - ressalta o economista-chefe do BV.