O segundo trimestre de 2026 foi de desaceleração no ritmo de crescimento da economia brasileira, como apontavam indicadores prévios da atividade econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 0,5% no segundo trimestre, frente aos três primeiros meses do ano, mostrou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta terça-feira (1º) as Contas Nacionais Trimestrais. O resultado veio acima da mediana das estimativas de 62 consultorias e bancos ouvidos pelo Valor, que apontava para alta de 0,4% no período. As projeções iam de crescimento de 0,2% a 0,7%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB teve expansão de 2%, ante expectativa compilada pelo Valor de crescimento de 1,8%. O intervalo das estimativas era de alta entre 1,2% a 2,4%. O IBGE mostrou ainda que o PIB acumulado nos quatro trimestres terminados em junho de 2026 cresceu 1,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. No primeiro trimestre de 2026, o PIB cresceu 1,1% em relação aos três meses antecedentes, resultado sem revisão. O IBGE, no entanto, atualizou a taxa do quarto trimestre de 2025, ante o trimestre anterior, de 0,3% para 0,2% de avanço. Ainda série dos dados com ajuste sazonal, a variação referente ao terceiro trimestre foi mantida em 0,1% de alta. O resultado do segundo trimestre de 2025, por sua vez, passou de 0,3% para 0,4% de expansão. Oferta Pelo lado da oferta, agropecuária cresceu 2,8% no segundo trimestre, ante os três primeiros meses de 2026. O resultado ficou acima da projeção mediana de 0,2% apurada pelo Valor. Ante igual período de 2025, a alta foi de 6,8%. O resultado superou a previsão de instituições financeiras ouvidas pelo Valor, de 1,6% de aumento. Em 12 meses, o setor agropecuário avançou 6,2% até o segundo trimestre. O resultado acumulado no primeiro semestre de 2026 foi de 3,6%. A indústria cresceu 0,1% no segundo trimestre, em comparação aos três meses anteriores, ante projeção de aumento de 0,5% apurada pelo Valor. Frente ao segundo trimestre de 2025, a indústria avançou 1,5%. Nesta base de comparação, a previsão era de alta de 2,1%. No resultado acumulado em 12 meses, a indústria brasileira avançou 1,4% até o segundo trimestre. O resultado acumulado no primeiro semestre de 2026 foi de 1,6%. No PIB, a indústria engloba, além do setor manufatureiro e extrativo, a construção civil e a produção e a distribuição de energia e gás. O setor de serviços, que engloba comércio, intermediação financeira e serviços públicos, teve expansão de 0,2% entre abril e junho. Foi o pior resultado para este tipo de comparação desde a estabilidade verificada no quarto trimestre de 2024. A estimativa mediana apurada pelo Valor era de crescimento de 0,3%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, houve alta de 1,5%, em meio à expectativa de expansão de 1,9%. No acumulado em 12 meses, o setor de serviços avançou 1,7% até o segundo trimestre. O resultado no primeiro semestre de 2026 foi de 1,8%. Demanda Pelo lado da demanda, o consumo das famílias caiu 0,4% no segundo trimestre, em relação aos três meses antecedentes. A queda foi a mais intensa desde o quarto trimestre de 2024, quando houve baix de 0,6%. A última retração no consumo das famílias ocorreu no terceiro trimestre de 2025 (-0,1%). A expectativa apurada pelo Valor junto ao mercado era de uma expansão de 0,6%. Frente ao segundo trimestre de 2025, o indicador teve alta de 0,5%. Bancos e consultorias estimavam aumento de 1,8%. Em 12 meses, o consumo das famílias teve alta de 0,9% até o segundo trimestre. O resultado acumulado no primeiro semestre de 2026 foi de 1,1%. A demanda do governo, por sua vez, aumentou 0,4% e a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas, construção civil e pesquisa) subiu 1,2% no segundo trimestre. Analistas consultados pelo Valor estimavam variação de 0,1% para o consumo do governo e expansão de 0,6% para a Formação Bruta de Capital Fixo, medida de investimento dentro do PIB. Frente ao segundo trimestre de 2025, houve aumento de 3,1% no consumo do governo e avanço de 1,4% na FBCF. Nesta base de comparação, as projeções de mercado eram de crescimento de 2,5% nos gastos da administração pública e de 0,3% nos investimentos. Em 12 meses, o consumo do governo subiu 2,8% até o segundo trimestre. No primeiro semestre de 2026, houve incremento de 2,9%. No caso dos investimentos, houve decréscimo de 0,2% nos 12 meses até o segundo trimestre. No primeiro semestre de 2026, foi registrada estabilidade (0%). Por fim, a taxa de investimento atingiu 16,1% do PIB no segundo trimestre de 2026. No setor externo, de acordo com o IBGE, as exportações recuaram 0,8%, enquanto as importações tiveram alta de 1,8% na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026. Consultorias e instituições financeiras esperavam, pela mediana, estabilidade (0%) para as exportações e alta de 0,9% para as importações. Ante o segundo trimestre de 2025, houve alta de 3,8% nas exportações e aumento de 5,5% nas importações. Nesta base de comparação, as projeções eram de elevação de 4,5% e 3%, respectivamente. Segundo o IBGE, o desempenho do PIB, bem como serviços, agropecuária e consumo do governo estavam, no segundo trimestre, no maior patamar da série histórica das Contas Nacionais, iniciada em 1996. Outros componentes do PIB também se encontravam no pico da série histórica ao fim do segundo trimestre: comércio, indústria extrativa mineral, serviços de informação e comunicação, atividades imobiliárias e importações.