O primeiro trimestre de 2026 foi de aceleração no ritmo de crescimento da economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 1,1% no período, frente ao trimestre anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta sexta-feira (29) as Contas Nacionais Trimestrais. No quarto trimestre de 2025, a variação tinha sido de 0,3%. O resultado veio em linha da mediana das estimativas de 71 consultorias e bancos ouvidos pela reportagem do Valor, que apontava para alta de 1,1% nos três primeiros meses de 2026. As projeções iam de crescimento de 0,5% a 1,7%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB teve expansão de 1,8%, ante expectativa compilada pelo Valor de avanço de 1,8%. O intervalo das estimativas era de alta entre 1,1% a 3,2%. O PIB acumulado nos quatro trimestres terminados em março de 2026 cresceu 2% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. O IBGE também revisou o desempenho do PIB do quarto trimestre de 2025, com crescimento de 0,3%, em relação ao terceiro trimestre, ante elevação de 0,1% divulgada inicialmente. Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 3,3 trilhões, sendo R$ 2,8 trilhões referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 461,2 bilhões aos Impostos sobre Produtos líquidos de subsídios. Oferta Pelo lado da oferta, a agropecuária cresceu 2% no primeiro trimestre de 2026, ante os três meses antecedentes. O resultado ficou abaixo da projeção mediana de 2,7% apurada pelo Valor. Perante igual período de 2025, houve aumento de 0,7%, ante expectativa das instituições financeiras ouvidas pelo Valor de alta de 2,5%. A indústria cresceu 1% no primeiro trimestre, ante os três meses anteriores, acima da expectativa de alta de 0,8% apurada pelo Valor. Frente ao primeiro trimestre de 2025, a indústria avançou 1,6%. Nesta base de comparação, a previsão era de avanço de 1,1%. O setor de serviços teve expansão de 0,5% nos três primeiros meses de 2026. A estimativa mediana apurada pelo Valor era de aumento de 0,6%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, houve alta de 2,1%. Para este indicador, a previsão era de crescimento de 2,1%. Demanda Pelo lado da demanda, o consumo das famílias aumentou 1% de janeiro a março de 2026, ante o quarto trimestre de 2025. A expectativa apurada pelo Valor junto ao mercado era de uma expansão de 0,9%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, houve expansão de 1,7%. Bancos e consultorias estimavam aumento de 1,6%. Ainda no comparativo dos três primeiros meses de 2026, ante o último trimestre de 2025, a demanda do governo, por sua vez, aumentou 0,4% e a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas, construção civil e pesquisa) subiu 3,5%. Analistas consultados pelo Valor estimavam estabilidade para o consumo do governo e expansão de 1,7% para a Formação Bruta de Capital Fixo. Frente ao primeiro trimestre de 2025, houve alta de 2,8% no consumo do governo, mas retração de 1,4% na FBCF. Nesta base de comparação, as projeções de mercado eram de aumento de 2,1% nos gastos da administração pública e queda de 2,8% nos investimentos. Por fim, a taxa de investimento correspondeu a 16,5% do PIB no primeiro trimestre de 2026, e a taxa de poupança foi de 15,5%. No setor externo, de acordo com o IBGE, as exportações recuaram 1,7%, enquanto as importações tiveram alta de 4,4% na passagem do quarto trimestre de 2025 para os três primeiros meses de 2026. Consultorias e instituições financeiras esperavam, pela mediana, queda de 2,2% para as exportações e de alta de 1,4% para as importações. No desempenho ante o primeiro trimestre de 2025, houve alta de 7,4% nas exportações e aumento de 1,2% nas importações. Nesta base de comparação, as projeções eram de ampliação de 6,5% e queda de 1,8%, respectivamente.