O valor consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) que o governo envia ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31). O valor final ainda deve ser atualizado até o fim do ano. Se confirmado, o reajuste será aplicado a partir de janeiro – ou seja, no salário que o trabalhador recebe em fevereiro. Os R$ 120 a mais representam uma alta de 7,4% em relação ao patamar atual.A nova estimativa também ficou acima do que foi projetado em abril deste ano. Naquele momento, a previsão era de R$ 1.717 para o salário mínimo. Valor pode mudar até dezembro O valor definitivo, porém, será conhecido somente em dezembro deste ano — quando será divulgado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro (que serve de base para a correção). Isso porque foi instituída por lei, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma fórmula de valorização real do salário mínimo – ou seja, de aumento do valor acima da inflação. Pelo formato adotado, o reajuste corresponde à soma de dois índices: a inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro – como prevê a Constituição;o índice de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. No caso de 2027, vale o PIB de 2025 – que cresceu 2,3%. A medida tem como objetivo adequar o crescimento do piso salarial do país aos limites definidos pelo novo arcabouço fiscal. O teto valerá até 2030. Carteira de trabalho — Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica Referência para 61,9 milhões de pessoas De acordo com informações divulgadas em maio pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 61,9 milhões de pessoas no Brasil. "O salário mínimo tem enorme alcance social, servindo de referência direta para trabalhadores assalariados, servidores públicos, beneficiários da Previdência Social, do BPC e do abono salarial, além de influenciar a remuneração de trabalhadores sem carteira assinada. Ao elevar o piso nacional, a política contribuiu para a redução das desigualdades salariais, inclusive entre homens e mulheres, negros e não negros e entre diferentes regiões do país", disse o Dieese, em dezembro de 2025. Por seu elevado impacto na Previdência e assistência social, analistas observam que a política de aumento real do salário mínimo, acima da inflação, nos últimos anos, contribui para o aumento das contas públicas. A recomendação de alguns analistas é de que o governo volte a adotar o formato anterior, do governo Bolsonaro, sem alta acima da inflação, ou seja, "desindexe" a correção do salário mínimo do PIB, o que significa um aumento menor do salário mínimo. Estudo do consultor de Orçamento da Câmara, Paulo Bijos, ex-secretário de Orçamento Federal do governo federal, estima uma redução de gastos acima de R$ 1 trilhão em dez anos com a correção do salário mínimo apenas pela inflação do ano anterior. 90 anos de história "Embora definido em 1936 com base nas necessidades alimentares do trabalhador e da trabalhadora, logo se percebeu que a legislação precisava especificar que o salário mínimo deveria ser aplicado a homens e a mulheres, e mais tarde que deveria considerar as necessidades das famílias trabalhadoras. Ao longo dos anos, porém, seu valor veio sendo corroído, atendendo cada vez menos às necessidades básicas do trabalhador e da trabalhadora", avaliou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, em publicação do Dieese sobre o tema. O próprio Dieese calcula que o salário mínimo mensal necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.687,01 em julho, ou 4,7 vezes o mínimo atual de R$ 1.621. 🔎O cálculo leva em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
Orçamento 2027: governo prevê aumento do salário mínimo para R$ 1.741 no próximo ano | G1
Valor consta na proposta de Orçamento do próximo ano e considera a estimativa da inflação em 12 meses até novembro de 2025. Salário é referência para 61,9 milhões de pessoas.















