No dia 19 de agosto passado aconteceram as Conversas do Fórum – Segunda Edição – O futuro do seguro frente às catástrofes e aos eventos climáticos, realizadas pelo Fórum Mário Petrelli de Fomento do Mercado de Seguros, Previdência, Capitalização e Resseguros.As catástrofes climáticas deixaram de ser eventos capazes de afetar esporadicamente o País. Ao longo dos anos elas ganharam tração e aumentaram em número de ocorrências e volume de danos. O ápice, até agora, aconteceu em 2024, no Rio Grande do Sul.O fenômeno do Super El Niño já começou, com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico (na foto, a Cidade do Panamá, que declarou emergência) Foto: Martin Bernetti/AFPPUBLICIDADEOs prejuízos totalizaram R$ 90 bilhões, mas o seguro cobriu apenas R$ 6 bilhões. É evidente que há uma defasagem gigantesca entre o potencial de danos e a oferta de seguros para este tipo de evento. Foi justamente esta situação que o Fórum Mário Petrelli colocou como tema para a segunda edição das Conversas do Fórum. O Brasil precisa rever o que tem sido oferecido, tanto em prevenção como em mitigação dos danos decorrentes do aquecimento global.Quando se fala em Super El Niño e se sabe que o fenômeno já começou, com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico prometendo potencializar a capacidade de danos de origem climática ao redor do globo, não há como não tratar deste assunto no Brasil. Até porque o País, devido às suas dimensões continentais, deverá ser atingido de diferentes formas, com excesso de chuvas no sul, seca severa no norte, e instabilidades no centro-sul.A verdade é que até o momento não foi criado nenhum programa de prevenção de danos. Não se discutiu a realocação de comunidades instaladas em áreas mais expostas, não se investiu em planejamento para a ocupação do solo, não se implantaram projetos para minimização dos efeitos dos eventos climáticos, especialmente nas áreas urbanas.PublicidadeDe outro lado, as discussões para a criação de seguros especialmente focados no tema também seguem em passo lento. Apesar das seguradoras e da Superintendência de Seguros Privados (Susep) estarem tratando do assunto, não há até agora nenhuma ação concreta por parte do governo federal no sentido da adotar as propostas apresentadas. Ou seja, também no campo da mitigação das perdas praticamente nada foi feito.Ao colocar o tema na sua pauta, o Fórum Mário Petrelli pretendeu contribuir para o avanço em direção a seguros destinados a fazer frente a emergência climática já em curso no país. Para tanto as Conversas do Fórum foram divididas em uma palestra e dois painéis.A palestra foi ministrada por Dario Luna Pla, um dos principais arquitetos da estratégia de gestão de riscos de desastres do governo federal do México. O primeiro painel tratou da perspectiva da distribuição de seguros para catástrofes, foi mediado por Robert Bittar, e contou com a participação de Ariel Couto, Henrique Brandão Júnior, e Rodrigo Botti. O segundo painel tratou da visão das seguradoras e resseguradoras em relação a estes eventos, foi moderado por mim e contou com a participação de Paulo Botti, Nilton Molina e Camila Calais, todos integrantes do Fórum Mário Petrelli.A conclusão foi que não há mais como postergar, a emergência climática é real e o Brasil precisa de seguros para fazer frente a ela. Vale ler tambémSplit payment, CNPJ técnico: o que ainda falta para a reforma tributária começar de verdade em 2027?Em plena expansão, Coamo mira R$ 30 bi em faturamentoDesinformação sobre reforma tributária pode pressionar inflação
Opinião | Seguros e emergência climática: não dá para postergar medidas para mitigar os efeitos das mudanças
As catástrofes climáticas deixaram de ser eventos capazes de afetar esporadicamente o País; ao longo dos anos, elas ganharam tração e aumentaram em número de ocorrências e volume de danos









