Diante da emergência climática, torna-se cada vez mais necessário prever cenários e entender a capacidade de ação e reação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Eventos climáticos extremos exigem que o planejamento corporativo priorize a gestão de riscos e a adaptação das operações — Foto: GettyImages Enchentes no Rio Grande do Sul. Ondas de calor recordes em São Paulo. Estiagem afetando a logística no Centro-Oeste. Não são mais "eventos raros", são parte do planejamento anual de qualquer empresa com operação, cadeia de fornecimento ou colaboradores no Brasil. A pergunta não é mais se o clima vai impactar o negócio, é quando, e se a empresa vai reagir ou já vai ter um plano estruturado. O relatório "Estado do Clima Global 2025" da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado em março de 2026, confirmou que o período de 2015 a 2025 reúne os 11 anos mais quentes já registrados desde o início das observações instrumentais. Neste ano, cidades brasileiras já sentiram na pele os efeitos do El Niño, e a OMM projeta que o fenômeno pode se intensificar até outubro, elevando a probabilidade de temperaturas acima da média e de alterações nos regimes de chuva em diferentes regiões do país. E com efeito direto sobre operação, logística e força de trabalho. Governos, empresas e sociedade civil enfrentam o desafio de tomar decisões enquanto lidam com os acontecimentos em curso. Ao mesmo tempo, precisam antecipar cenários e planejar medidas de prevenção, adaptação e resposta com base nas contingências identificadas. O ponto de atenção é que essa antecipação ainda é exceção, não regra: no Brasil, a maior parte dos recursos públicos e privados de clima segue concentrada em mitigação, com adaptação recebendo uma fatia mínima do investimento total — um desequilíbrio que analistas do setor vêm apontando como o principal ponto cego da agenda climática corporativa. No caso das empresas, a emergência climática exige um olhar mais atento para a antecipação de riscos, uma vez que se torna cada vez mais necessária a criação de métodos e normas para lidar com impactos e possíveis prejuízos futuros, tanto para o negócio quanto para as comunidades nas quais a empresa está inserida. “Um evento recente exemplifica essa tensão. Uma grande montadora aqui no Brasil teve o telhado de uma fábrica arrancado por um evento climático extremo. Falamos de uma multinacional, não de uma empresa despreparada. O prejuízo não é só financeiro: mais de 90% das perdas causadas por desastres climáticos no Brasil não têm cobertura de seguro, mas o custo que mais demora a se recuperar, além de vidas, é o de confiança — com investidores, com clientes, com a própria comunidade ao redor da operação”, afirma Mariana Bazzoni, sócia-diretora da Beon. O prejuízo, aliás, já é mensurável em escala nacional: eventos climáticos extremos causaram cerca de R$ 184 bilhões em perdas para a economia brasileira entre 2022 e 2024, segundo dados da CNseg e da EY apresentados na COP30. Materialidade como ferramenta de decisão Diante de tantas variáveis e atores envolvidos, a saída não é reagir caso a caso, mas garantir rigor técnico das decisões e um excelente planejamento estratégico. Nesse sentido, a avaliação de materialidade constrói o processo que orienta onde a empresa deve investir energia, comunicação e recursos prioritariamente. A análise da materialidade garante as duas lentes: de um lado, o impacto que a organização gera na sociedade e no meio ambiente. Do outro, como as tendências climáticas, sociais e regulatórias impactam o resultado financeiro da própria empresa, como receita, custo de capital e continuidade da operação. Risco e oportunidade aparecem exatamente nesse cruzamento: é ali que a empresa decide onde investir primeiro. "O que mais determina se uma empresa sai bem ou mal de um evento climático extremo não é o evento em si, é o planejamento estratégico e financeiro que ela construiu antes dele acontecer. A materialidade é o processo que sustenta essa construção: é ela que mostra onde a empresa impacta a comunidade e o meio ambiente, e onde as tendências climáticas, sociais e regulatórias impactam de volta o resultado financeiro da empresa. Risco e oportunidade nascem exatamente desse cruzamento, e é isso que orienta onde investir primeiro", explica Mariana. Transformar prioridades em agenda Com base na matriz de materialidade, essas prioridades precisam se transformar em ação. É aqui que a comunicação se torna estratégica: ela deixa de ser apenas institucional e passa a atuar como um mecanismo de integração e coordenação entre as áreas. "A comunicação é o eixo fundamental para transmitir essas decisões, não apenas para os públicos de interesse da empresa, mas também para posicioná-la nos debates e articulações dos mercados onde atua", defende a diretora. Quando todos seus públicos de interesse estão na mesma página, tende a ser mais fácil para as organizações colocar as ações em prática, com responsáveis definidos, metas claras e acompanhamento constante dos riscos. “Como especialistas, atuamos exatamente nessa jornada: não apenas na construção da visão estratégica, mas também na execução desse planejamento", diz Mariana.
Risco climático vira prioridade na gestão estratégica das empresas
Diante da emergência climática, torna-se cada vez mais necessário prever cenários e entender a capacidade de ação e reação








