Companhias passam a incorporar riscos climáticos ao planejamento, mas ainda faltam dados para dimensionar o impacto sobre a malha 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A BR-396 cercada pelo Rio Taquari (RS) em 2024: vulnerável — Foto: Defesa Civil de SP/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/07/2026 - 01:55 Empresas de logística no Brasil intensificam adaptação ao clima extremo Empresas de logística e infraestrutura no Brasil estão intensificando esforços para se adaptarem aos riscos climáticos exacerbados pelo fenômeno El Niño e mudanças climáticas. Sem diretrizes claras, incorporam riscos climáticos em suas estratégias, focando em resiliência e alternativas ao modal rodoviário. O setor enfrenta desafios como enchentes e precisa investir 1,2% do PIB até 2050 para adaptação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A previsão de um El Niño entre o segundo semestre e o início do ano que vem, somada aos episódios de enchentes, secas e ondas de calor por causa das mudanças climáticas, reforçou o alerta para empresas de infraestrutura e logística de que os eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes e custosos. Companhias já começaram a incorporar o risco climático em suas estratégias de investimento e operação, embora o movimento ainda avance sem diretrizes claras do regulador. Na visão de Marcelo Guidotti, CEO da EcoRodovias, já ficou claro para as organizações do país que a crise climática tem efeitos devastadores sobre a infraestrutura rodoviária, aprendizado reforçado após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. Guidotti conta que, neste ano, a companhia aderiu com suas concessionárias federais ao Programa de Sustentabilidade para Infraestrutura (PSI), da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), voltado a investimentos em descarbonização e resiliência climática. — Vamos ter que atuar cada vez mais para tornar as rodovias mais resilientes aos efeitos climáticos, um dever de casa que já vínhamos fazendo na EcoRodovias e que vem recebendo incentivos das agências reguladoras — diz o executivo. O setor mineral já mira alternativas ao modal rodoviário para reduzir essa exposição. É o caso da Cedro, mineradora, explica Nacle Viana, gerente-geral de Logística da empresa: —A Cedro já entendeu que mudanças são necessárias e já estamos trabalhando nisso. É um trabalho de longo prazo e que dará resultados econômicos e socioambientais muito positivos. A mudança parte da percepção de que o modal rodoviário é um gargalo que precisa de atuação constante e custos cada vez mais elevados. Para a executiva, o transporte ferroviário e por correia é mais seguro e eficiente: — Essas opções são menos suscetíveis a variações climáticas e com baixíssimos índices de poluentes. A MoveInfra, movimento que reúne as maiores empresas de infraestrutura do país, lançou em outubro de 2025, com a corretora Marsh McLennan, um estudo sobre efeitos climáticos no setor. O documento alerta que a adaptação não é mais opcional e cita as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, com prejuízos de 14% do PIB estadual. O levantamento mostra que o setor já tem alguma base de conhecimento sobre riscos físicos, mas segue exposto a ameaças agudas, como inundações, tempestades, incêndios, e a riscos crônicos, como estresse hídrico e aumento de temperatura. Mudanças climáticas aumentam em 35 vezes probabilidade de ondas de calor na América do Norte e Central 1 de 15 Pessoas se refrescam em uma fonte perto do rio Hudson durante uma onda de calor na cidade de Nova York. O calor mortal que cobriu recentemente os EUA, o México e a América Central tornou-se 35 vezes mais provável devido ao aquecimento global, disseram cientistas climáticos da World Weather Attribution (WWA) em 20 de junho. — Foto: Yuki IWAMURA / AFP 2 de 15 Pessoas se refrescam em uma fonte perto do rio Hudson durante uma onda de calor na cidade de Nova York. O calor mortal que cobriu recentemente os EUA, o México e a América Central tornou-se 35 vezes mais provável devido ao aquecimento global, disseram cientistas climáticos da World Weather Attribution (WWA) em 20 de junho. — Foto: Yuki IWAMURA / AFP X de 15 Publicidade 15 fotos 3 de 15 Pessoas sentam-se ao longo do rio Hudson durante uma onda de calor em 20 de junho de 2024 na cidade de Nova York. O calor mortal que cobriu recentemente os EUA, o México e a América Central tornou-se 35 vezes mais provável devido ao aquecimento global, disseram cientistas climáticos da World Weather Attribution (WWA) em 20 de junho. — Foto: Yuki IWAMURA / AFP 4 de 15 Pessoas caminham ao longo da Ponte do Brooklyn em meio a uma onda de calor na cidade de Nova York. — Foto: Michael M. Santiago/Getty Images/AFP X de 15 Publicidade 5 de 15 As pessoas tentam se refrescar em Coney Island no primeiro dia de verão na cidade de Nova York. — Foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP 6 de 15 As pessoas tentam se refrescar em Coney Island no primeiro dia de verão na cidade de Nova York. — Foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP X de 15 Publicidade 7 de 15 As pessoas colocaram os pés na água para se refrescarem no Memorial da Segunda Guerra Mundial dos EUA, em Washington, DC — Foto: Drew ANGERER / AFP 8 de 15 Pessoas brincam em uma fonte de água no Domino Park, no Brooklyn, Nova York, enquanto uma onda de calor atinge o nordeste dos EUA — Foto: Adam GRAY / AFP X de 15 Publicidade 9 de 15 As pessoas tentam se refrescar em Newark, Nova Jersey, enquanto os residentes de Nova Jersey e grande parte do Nordeste experimentam a primeira onda de calor da temporada — Foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP 10 de 15 Pessoas lotam os Water Steps no Riverfront Park ao longo do rio Allegheny em Pittsburgh, Pensilvânia. O Serviço Meteorológico Nacional emitiu um alerta de calor excessivo para grande parte do Centro-Oeste dos Estados Unidos. — Foto: Jeff Swensen/Getty Images/AFP X de 15 Publicidade 11 de 15 As pessoas se refrescam à beira do lago em Chicago, Illinois. Uma onda de calor trouxe temperaturas quentes recordes para grande parte das áreas Centro-Oeste e Nordeste do país esta semana. — Foto: Scott Olson/Getty Images/AFP 12 de 15 As pessoas se refrescam no Crown Fountain no Millennium Park enquanto as temperaturas atingiam recorde de calor em Chicago, Illinois. — Foto: Scott Olson/Getty Images/AFP X de 15 Publicidade 13 de 15 Vendedor de sorvete à beira do lago enquanto as temperaturas batiam recorde em Chicago, Illinois. — Foto: Scott Olson/Getty Images/AFP 14 de 15 Pessoas caminham ao longo do Brooklyn Bridge Park em meio a uma onda de calor n a cidade de Nova York. — Foto: Michael M. Santiago/Getty Images/AFP X de 15 Publicidade 15 de 15 Pessoas tomam sol na Câmara dos Comuns durante uma onda de calor em Boston, Massachusetts. Calor extremo e alta umidade sufocaram o centro e o nordeste dos EUA. — Foto: Joseph Prezioso / AFP Este ano foi o mais quente já registrado, e grandes áreas do mundo já suportaram temperaturas escaldantes antes do início do verão no Hemisfério Horte Entre as recomendações estão tornar obrigatório o mapeamento de vulnerabilidades em novos projetos, aprimorar a matriz de riscos contratual e ampliar mecanismos como seguros paramétricos e títulos de catástrofe. A adaptação da infraestrutura deve exigir investimentos de 1,2% do PIB até 2050, segundo o estudo. Histórico Para Cláudio Frischtak, ex-economista do Banco Mundial e sócio-gestor da Inter.B Consultoria, as chances de um El Niño forte este ano agravam uma situação já difícil das rodovias brasileiras, de qualidade insuficiente para lidar com as mudanças climáticas. Ele conta que o país ainda passa por uma transição e levará tempo até mensurar com precisão as implicações financeiras da mudança climática sobre a malha rodoviária: — Vamos precisar de mais quatro a cinco anos para ter um histórico mais sólido e responder qual o impacto das mudanças climáticas sobre o custo de operação nas rodovias.