0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Campo parcialmente trabalhado durante a colheita de soja e milho, na Bahia — Foto: Dado Galdieri/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 09:11 Desafios Climáticos no Brasil: El Niño e Políticas de Seguro Agrícola O Brasil enfrenta desafios crescentes com eventos climáticos extremos, impulsionados pelo forte El Niño previsto. A reportagem destaca a redução do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, dificultando a proteção agrícola. Especialistas criticam políticas públicas que priorizam subsídios ao crédito em vez de seguros. O aumento de eventos climáticos desde 1970 é alarmante, demandando urgência em mitigação e adaptação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Já está confirmado que o El Niño virá e será mais forte do que o usual. Quais eventos climáticos ele produzirá ainda não sabemos ao certo, mas uma coisa é clara: não estamos nos preparando adequadamente para esses extremos, que serão cada vez mais frequentes, como tenho alertado aqui e como os jornais destacam hoje. Reportagem de Vinicius Neder, no GLOBO, mostra o encolhimento do seguro rural. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que já era considerado insuficiente, com previsão de R$ 1 bilhão para este ano, foi reduzido para R$ 474 milhões após o bloqueio de recursos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). É o menor valor desde 2006, quando o programa começou a ser implementado. Isso é muito pouco. O seguro protege uma parcela ínfima da área plantada: a estimativa é de cobertura de apenas 2,8%, ante 3,4% em 2025, percentual que já era muito baixo. Reduz-se o seguro justamente quando o risco aumenta — exatamente o oposto do que deveria ser feito. A medida impõe mais uma dificuldade ao agronegócio em um ano já desafiador, marcado pela alta dos custos e pela escassez de fertilizantes provocada pelos conflitos no Irã. Na reportagem, especialistas apontam um equívoco da política pública, que privilegiou o subsídio ao crédito e o perdão de dívidas — medidas para remediar problemas — em vez da prevenção proporcionada pelo seguro. Um artigo publicado na Folha de S.Paulo, assinado por Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos da Amazônia Sustentável da USP, Virgilio Viana, superintendente da Fundação Amazônia Sustentável, e Paulo Henrique de Christo, coordenador do Harvard Brazil Climate Urban Resilience Group, alerta para o aumento da frequência dos eventos climáticos extremos. Eles apresentam estatísticas que reforçam o que temos dito repetidamente. Entre as décadas de 1970 e 1980, ocorriam cerca de cem eventos extremos por ano em todo o mundo. Entre 2020 e 2025, esse número saltou para aproximadamente 400. No Brasil, entre 2020 e 2023, houve um aumento de 223% em relação à década de 1990. Este ano já há previsão de um evento severo, e é preciso se preparar. Outra reportagem, também da Folha de S.Paulo, de Clayton Castelani, retrata o risco de caos climático em São Paulo, em um cenário que combina fogo, temporais e seca, além de mostrar os planos dos governos estadual e municipal para enfrentar essa realidade. O texto lembra que não estamos falando de um problema futuro. Na semana passada, em menos de 24 horas, entre terça e quarta-feira, foram registrados 100 milímetros de chuva, o equivalente a mais da metade do volume esperado para todo o mês de junho. O El Niño costuma provocar excesso de chuvas no Sul e seca no Norte e no Nordeste. São Paulo está em uma área de transição e pode enfrentar os dois extremos: dias de calor intenso seguidos por temporais. É preciso se preparar em várias frentes, como citei no caso da agricultura, mas principalmente para proteger a vida humana. Há duas palavras-chave quando se fala em mudança climática: mitigação e adaptação. Adaptar-se significa preparar-se para enfrentar os eventos extremos. Mitigar é agir para reduzir seus efeitos, o que inclui medidas para diminuir as emissões de gases de efeito estufa e estabelecer um plano para a substituição gradual dos combustíveis fósseis. Não estamos fazendo o dever de casa, e os cientistas têm alertado que o custo da inação será cada vez maior.