Seguradoras vêm deixando de ter foco exclusivo no pagamento de indenizações para participar mais dos projetos estruturais – num movimento relacionado à prevenção Mercado Público de Porto Alegre alagado após as enchentes históricas no Rio Grande do Sul, em 2024 — Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini A abordagem dos seguradores mudou diante da ocorrência de eventos climáticos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, disse, nesta segunda-feira (29), o diretor de infraestrutura e construção da corretora de seguros Marsh Brasil, André Dabus. Segundo o executivo, o setor está deixando de ter foco exclusivo no pagamento de indenizações para participar mais dos projetos estruturais – num movimento relacionado à prevenção –, mas o país ainda tem espaço para avançar. “O segurador pós-evento do Rio Grande do Sul tem uma visão muito diferente, deixando de ser um foco muito mais no pagamento das indenizações, mas procurando estar mais próximo dos projetos e da estruturação”, disse Dabus, na primeira edição do Fórum de Infraestrutura Sustentável, promovido pela Editora Globo em parceria com o Valor. Contudo, disse, o Brasil ainda precisa avançar na agenda. Ele citou como principal exemplo a adoção ainda subaproveitada do conceito de "reconstruir melhor (Build Back Better)", já que o reparo simples de construções danificadas por eventos climáticos ainda gera vulnerabilidade. “Se nós reconstruímos simplesmente como era o ativo no passado, ele se tornará vulnerável num próximo evento climático”, observou Dabus. Ele também defendeu a inclusão de mitigadores extracontratuais e cláusulas que facilitem o desenvolvimento de infraestrutura sustentável ao longo do tempo. Ainda assim, disse, o cenário global de incertezas abre portas para o país. “Há muita possibilidade de ganho, com muita demanda por infraestrutura sustentável no Brasil”, afirmou.