Todo mundo que já exagerou no jantar sabe que o que comemos tem influência na qualidade do sono. Mas ela pode ser maior do que se pensava, segundo estudos recentes que se debruçaram sobre o tema. Um artigo publicado em julho no Journal of Internal Medicine encontrou associação entre maior diversidade da microbiota intestinal e melhor qualidade do sono. A investigação indica que ingerir cápsulas com bactérias benéficas reduziu em 13,9% os sintomas de insônia crônica com apenas um mês de tratamento contínuo.

Na mesma direção, um editorial publicado em 2025 na revista Nutrients reuniu evidências sobre a associação entre comportamento alimentar e qualidade do sono. O artigo destaca estudos que mostram que padrões alimentares saudáveis favorecem uma boa noite de descanso. Organizar melhor as refeições diminuiu até o uso de remédios para dormir em uma pesquisa feita com 570 estudantes de medicina e divulgada na mesma revista.

"A alimentação e o sono se influenciam mutuamente", resume a neurofisiologista Letícia Azevedo Soster, do Einstein Hospital Israelita. Uma pessoa que se alimenta mal pode ficar com um sono fragmentado. "Depois, ela tende a consumir alimentos mais calóricos e fontes de carboidratos de rápida absorção para aguentar o dia seguinte. A relação, portanto, é bidirecional: quanto pior um, o outro tende a ser pior, e vice-versa", detalha Soster.