Em 2014, fiz uma reportagem na sede do Facebook e Instagram, em Menlo Park, no Vale do Silício. Dentro do campus, encontrei uma palavra escrita por todo o lado —nos grafites, nas decorações e até no chão, na praça central, em letras tão grandes que eram visíveis do céu. Consegue, caro leitor, adivinhar qual era esse termo?

As sugestões são normalmente benevolentes, como conexão, rede, união. Porém, a palavra onipresente que simboliza a cultura da empresa é "hack" ou "hacker". Vem de piratear, ou na tradução mais clássica, de golpear grosseiramente, estraçalhar.

Esse trabalho, feito anos antes do escândalo da Cambridge Analytica (que revelou como era possível fazer manipulação política em massa nas redes sociais), foi um dos que mais me impactou na minha carreira de jornalista.

Entrevistei o homem que liderava a equipe do algoritmo e me senti num Matrix. À minha frente, de boné, bebendo uma Coca-Cola, estava um homem que falava do poder incomensurável de escolher o que os utilizadores da maior nação do mundo viam nas suas timelines —e como ficariam a se sentir e que percepção do mundo guardariam depois de umas quantas horas a navegar—, com a mesma leveza de quem explicava uma opção estética.