A gestão Otaviano Pivetta (Republicanos) iniciou um processo para legalizar o uso de madeira nativa em usinas de biodiesel em Mato Grosso. Em ofício encaminhado em 6 de julho, o governador pede ao procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca, que reconsidere um Termo de Compromisso Ambiental (TAC) para eliminar o consumo de madeira de desmatamento legal nas usinas de biodiesel até 2035.

O termo foi assinado em junho pelo próprio Pivetta com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O documento resultou de um inquérito civil aberto pelo MPMT para investigar a suspeita de que usinas de etanol patrocinassem o desmatamento da amazônia com a compra de lenha nativa. O "cavaco" de madeira nativa é usado em caldeiras para destilação do milho ou da cana-de-açúcar para fabricar etanol.

A investigação apontou que o consumo de madeira nativa cresceu gradativamente e passou a substituir a madeira de reflorestamento desde que o estado aprovou uma lei, em 2022, com facilidades para a compra da lenha proveniente das florestas.

Em complemento ao pedido do governador, a secretária de Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, enviou em 28 de julho uma proposta ao Ministério Público em que cita a legislação mineira para permitir a legalização do uso de madeira nativa. A alteração prevê que, em vez de zerar o consumo oriundo de desmatamento, o estado permita, a partir de 2035, que até 5% da lenha nas usinas seja proveniente de desmatamento legal.