Algo acontece quando até o Canadá cogita fazer parte da União Europeia. Neste sábado (29), quem pode decidir se aproximar da Europa e se afastar dos Estados Unidos de Donald Trump é a Islândia, que decide em referendo sobre a retomada das negociações para aderir ao bloco.

Suspenso após as eleições locais em 2013, o processo de adesão era uma disputa política interna adormecida. Porém, como quase tudo no mundo nestes últimos dois anos, ganhou renovado impulso graças às bravatas do presidente americano, notadamente seu desejo de anexar a vizinha Groenlândia.

A Islândia até foi citada algumas vezes por Trump, mas por erro do bilionário, que trocou o nome do território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca pelo do país insular em manifestações à imprensa e discursos. Um equívoco de ao menos 300 quilômetros, a distância entre a Islândia e o ponto mais próximo da costa groenlandesa.

Instado ou não pelo lapso, em março passado o assunto saiu da gaveta por iniciativa do governo islandês. Além de Trump, as aventuras de Rússia e China pelo Ártico cada vez mais derretido pelas mudanças climáticas também preocupam o gabinete da primeira-ministra, Kristrún Frostadóttir.

A Islândia não tem Exército. Desde sua independência da Dinamarca, em 1944, empresta seu território estratégico e remoto em troca de proteção. Com menos de 400 mil habitantes, população de uma cidade média no Brasil, não tem gente suficiente para compor forças de defesa. Ainda assim, é um dos 12 países fundadores da Otan, a aliança militar ocidental criada em 1949, e tem acordos de cooperação com os EUA desde 1951.