As investigações sobre a produção do filme "Dark Horse", que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, e os inquéritos contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, colocaram os ministros Flávio Dino e André Mendonça como os principais antagonistas na divisão interna do STF (Supremo Tribunal Federal).

Ambos têm em seus gabinetes processos tramitando sobre os dois assuntos, considerados as principais armas das campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do presidente Lula (PT). Um interlocutor dos ministros chegou a classificá-los como os atuais "cabeças de chave" de suas respectivas alas na corte.

Na cúpula do Supremo, a leitura é a de que são altas as chances de Dino e Mendonça terem entendimentos jurídicos distintos sobre uma mesma matéria. Com isso, o ritmo e os métodos adotados por um podem interferir no andamento dos processos do outro, agravando os pontos de atrito.

Ambos colecionam divergências em julgamentos no Supremo. Nas ações penais sobre os ataques de 8 de Janeiro, por exemplo, Mendonça votou para absolver acusados ou aplicar penas menores, enquanto Dino foi um dos magistrados mais firmes em defesa das condenações.

O antagonismo entre eles ganha ainda mais peso no contexto eleitoral, uma vez que as eventuais decisões dos ministros nos casos Lulinha e "Dark Horse" podem ter impactos positivos ou negativos para as campanhas de Lula ou de Flávio. Mendonça foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto Dino chegou à corte nomeado pelo petista.