O conflito envolve principalmente apurações que miram o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro Edson Fachin, presidente do STF — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, recebeu o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. Os encontros foram separados e ocorrem em meio à tensão entre a cúpula da Polícia Federal (PF) e o ministro da Corte André Mendonça. O conflito envolve principalmente apurações que miram o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Leia mais Segundo apurou o Valor, há uma preocupação de Fachin com o conflito e ele quis saber melhor o cenário. Messias tem atuado para tentar distensionar as relações entre a PF e Mendonça, de modo a evitar levar adiante, pela via judicial, questionamentos de investigadores sobre as decisões do ministro do Supremo nas apurações sobre Lulinha. O advogado-geral da União tem uma boa relação com Mendonça e também é próximo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em julho, a corporação acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para que adotasse medidas para questionar duas determinações do ministro: a de que a PF deveria remeter ao Supremo todas as peças das investigações da Operação Sem Desconto, sobre o Master, e a de que o ministro deveria ser comunicado previamente de qualquer nova decisão sobre afastamento ou troca de delegados que trabalham na apuração. Como mostrou o Valor à época, a opção por acionar a AGU foi a única medida que a PF avaliou ser possível tomar após decisões de Mendonça que foram vistas como uma tentativa de interferir no trabalho da corporação. No início do mês, Messias intermediou uma reunião entre Mendonça e Lima e Silva. Durante o encontro, o ministro da Justiça, que é chefe hierárquico da PF, garantiu ao ministro do Supremo a independência da corporação nas investigações. Uma ala no Supremo defende que os inquéritos sobre Lulinha sejam enviados para a primeira instância. As investigações miram a suposta prática de tráfico de influência. O argumento é que a apuração não trata de pessoas com foro especial. No fim de julho, Mendonça autorizou a abertura de dois inquéritos relacionados a Lulinha. Um deles apura a suposta atuação de Lulinha para obter contrato de fornecimento de cannabis medicinal com o Ministério da Saúde. A PF quer saber se ele atuou em favor de uma empresa ligada ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado por suspeita de envolvimento com o esquema de fraude em descontos associativos de aposentados e pensionistas do INSS. O outro mira a relação do filho do presidente com um empresário que teria buscado negócios na Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). As duas supostas tentativas de negócio não foram para a frente. A avaliação de interlocutores de Mendonça é que há uma tentativa de tirar a relatoria do ministro. Eles lembram que quando os pedidos de investigação contra Lulinha chegaram ao Tribunal, em julho, a PF sustentou que as apurações não tinham relação com o INSS e não deveriam ser automaticamente distribuídas a Mendonça. Após parecer da PGR no mesmo sentido, o ministro Alexandre de Moraes, que conduzia o Supremo durante o recesso de julho, determinou a distribuição por sorteio. Ocorre que Mendonça acabou sorteado de toda forma. Nas últimas semanas, o clima de tensão aumentou com vazamentos das investigações sobre Lulinha. Há uma impressão entre investigadores de que os vazamentos poderiam partir do gabinete de Mendonça, o que interlocutores do ministro negam.