Ele nega as acusações, mas é preciso apurá-las. Filho do presidente não deve receber tratamento privilegiado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula — Foto: NELSON ALMEIDA / AFP Foi sensata a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de autorizar, a pedido da Polícia Federal (PF), a abertura de novos inquéritos para investigar se Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cometeu crimes como tráfico de influência e corrupção valendo-se de suas relações com o Palácio do Planalto. Lulinha, como ele é conhecido, nega as acusações, mas, se há suspeitas de atos ilícitos, precisam ser apuradas. Mendonça autorizou uma investigação de Lulinha relativa ao fornecimento de produtos ao SUS e outra ligada à Dataprev, estatal de processamento de dados do INSS. As investigações não envolvem questões irrelevantes. No caso da Dataprev, a suspeita é que Lulinha tenha agido em conluio com um empresário do setor de tecnologia interessado em obter negócios na empresa e noutros órgãos do governo. No outro caso, as autoridades querem saber se ele atuou ao lado de Roberta Luchsinger — dona de uma consultoria que faz a ponte entre empresas e órgãos públicos — e do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para ajudá-lo a fornecer ao SUS produtos de Cannabis medicinal (sem relação com o caso que levou Antunes à prisão). Gabinete presidencial, cannabis medicinal e tráfico de influência: entenda a nova investigação da PF contra Lulinha Muitos fatos precisam ser esclarecidos. Roberta, diz a investigação da PF, prestou serviços de consultoria a Antunes pelos quais recebeu R$ 1,5 milhão em parcelas de R$ 300 mil. Uma enigmática mensagem de Antunes a ela afirma que uma transferência de R$ 300 mil era destinada “ao filho do rapaz”. Investigadores tentam saber se era uma referência a Lulinha. Em depoimento à PF, Roberta negou ter feito qualquer repasse a ele. Em 2024, a convite de Antunes, Lulinha viajou para Portugal para visitar uma fábrica de produtos à base de canabidiol. O nome de Lulinha já havia aparecido nas investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o escândalo do INSS. Durante as apurações, governistas travaram uma batalha com oposicionistas na tentativa de blindá-lo. No fim de março, a CPMI rejeitou o relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) que recomendava o indiciamento de 216 suspeitos, entre os quais Lulinha. Apoiadores de Lula veem oportunismo na decisão de Mendonça, tomada a dois meses das eleições. Afirmam que ela tem motivação política. O argumento não procede. Primeiro, Mendonça atendeu a um pedido da PF, a mesma polícia que investiga adversários políticos do petista. Segundo, decisões da Justiça não podem ficar a reboque do calendário eleitoral. Nem para acelerar nem para retardar qualquer investigação. Seria um despropósito. O próprio Lula, sujeito aos desgastes do caso, se declarou favorável à apuração, embora afirme acreditar na inocência de Lulinha. “Se for culpado, ele terá de pagar como todo mundo”, disse. Seria uma lástima se não fosse assim. Parentes do presidente não podem receber tratamento privilegiado. Se há suspeitas de irregularidades na atuação de Lulinha ou de quem quer que seja, é dever das autoridades investigá-las. Não deve haver apurações seletivas.
Mendonça faz bem em autorizar PF a investigar suspeitas contra Lulinha
Ele nega as acusações, mas é preciso apurá-las. Filho do presidente não deve receber tratamento privilegiado













