Um procedimento aberto pela Corregedoria-Geral de Polícia Federal investiga internamente a divulgação de informações 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — Foto: NELSON ALMEIDA / AFP O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, voltou a conversar com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sobre o que classifica como “vazamentos” de informações dos três inquéritos a que Lulinha responde no Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda nesta semana, o advogado tentará um encontro com o ministro André Mendonça, do STF, com quem estão dois processos de Lulinha na Corte. Há um terceiro, que está sob relatoria do ministro Flávio Dino. O defensor tem cobrado nas conversas informações sobre o andamento da apuração dos vazamentos e a responsabilização de servidores que eventualmente tenham contribuído para a divulgação de informações da investigação. Em outro momento, o advogado de Lulinha já havia reclamado da divulgação de informações com o ministro da Justiça. — Relatei a eles que estou extremamente preocupado e pedi informações sobre o andamento dos inquéritos instaurados para apurar os vazamentos. Não vi nada parecido. Não tem precedentes nem na história da finada Operação Lava-Jato. Precisamos tirar o rosto do processo. Se acontece algo assim com o filho do presidente, quem dirá o que pode ocorrer com outro cidadão qualquer? — afirma Carvalho. Um procedimento aberto pela Corregedoria-Geral de Polícia Federal (Coger) investiga internamente a divulgação de informações. O Ministério da Justiça pediu à PF que informe a pasta do passo a passo da apuração. Além disso, há investigações com esse foco determinadas por Mendonça e Dino. Na semana passada, o advogado reclamou dos vazamentos com Lula em uma conversa no Palácio do Alvorada. O defensor afirmou que, após ouvir a queixa, Lula perguntou se havia algum procedimento para apurar a divulgação de informações e recebeu resposta positiva. Ainda de acordo com o advogado, o presidente defendeu que o filho preste depoimento e esclareça tudo que for necessário à PF. A defesa, no entanto, alega que Lulinha, que mora em Madri, na Espanha, só vira ao Brasil se for chamado pelos policiais. Os inquéritos apuram se Lulinha praticou tráfico de influência e “abriu as portas” do governo para a empresária Roberta Luchsinger, sua amiga. Ela é sócia de uma consultoria que tentou fazer negócios no Ministério da Saúde e em outros órgãos públicos. Diálogos entre os dois obtidos pela PF, revelados na última semana, mostram que eles discutiam negócios em conjunto. Em uma das conversas, em 22 de março de 2024, a empresária diz: “Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe”. O filho do presidente responde em seguida: “Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada”. Em outra mensagem a Lulinha, a empresária comenta sobre um almoço com Berger, referência a Swederberger Barbosa, na época secretário-executivo do Ministério da Saúde, segundo posto mais importante da pasta. Apesar de o negócio envolvendo o fornecimento de medicamentos à base de cannabis não ter sido fechado pelo Ministério da Saúde, um inquérito no STF investiga se houve irregularidades na atuação de Luchsinger, Lulinha e do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que contratou Roberta para tentar viabilizar o negócio. O filho do presidente ainda responde a outros dois inquéritos no Supremo por supostamente ter atuado com a amiga em outros órgãos do governo, como a Dataprev.