Polícia Federal afirma que filho do presidente seria 'beneficiário indireto' da atuação de Roberta Luchsinger 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Reprodução/Instagram - Fábio Lula O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, afirmou em mensagem no WhatsApp recuperada pela Polícia Federal (PF) que a lobista Roberta Luchsinger era responsável por cuidar das finanças dele. A conversa faz parte do material que embasou o pedido da PF para investigar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suspeita de tráfico de influência junto ao governo federal. Segundo a PF, Lulinha seria beneficiário indireto das articulações feitas pela lobista. Segundo o material revelado nesta quinta-feira (20) pela revista Veja, Lulinha teria dado a declaração em uma conversa com Roberta Luchsinger sobre uma viagem que ele faria à África bancada por ela. "A gente tem grana pra bancar essas coisas?”, indagou Lulinha, que logo na sequência acrescentou: "Vc que cuida das minhas finanças”. O conjunto de mensagens foi encontrado no celular de Luchsinger. A empresária foi alvo de buscas da PF, em dezembro do ano passado, na Operação Sem Desconto, que mira as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ao analisar o conteúdo, a corporação identificou conversas em que ela venderia uma suposta influência, atuando como uma espécie de porta-voz de Lulinha. Em uma delas, a lobista chega a afirmar que teria sido convidada pelo próprio presidente para atuar no governo, em 2024, e que teria negado. “Fui das poucas pessoas q (sic) o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar (...) Eu disse: onde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando", afirmou. "Tô em cargo nenhum e ando onde quero", seguiu Roberta em diálogo com um outro empresário. As mensagens, segundo a PF, mostram ainda que ela tentou abrir portas em diferentes áreas do governo federal em conjunto com Fernando Bittar, amigo e sócio de Lulinha que ficou conhecido na Operação Lava-Jato por ser o dono do sítio que era frequentado por Lula em Atibaia (SP). “Os elementos probatórios obtidos no curso da investigação revelam a existência de um núcleo de atuação permanente e coordenada composto por Roberta Moreira Luchsinger, Fabio Luis Lula da Silva e Fernando Bittar, voltado à interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da administração pública federal", afirma o relatório da PF revelado pela Veja. A corporação identificou que os três mantinham um grupo de WhatsApp chamado “Musaranhos”, em referência a um mamífero que parece um rato. Para a PF, o filho do presidente Lula seria um beneficiário indireto das articulações feitas em seu nome por Roberta e mantinha uma exposição menor nas tratativas. “Fábio não faz nada, ele só entra em campo qdo precisa”, afirmou Roberta em uma mensagem. O relatório mostrou ainda que o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, teria recebido, entre fevereiro e novembro de 2024, R$ 217 mil de Roberta para pagar contas pessoais, incluindo joias e uma fatura de cartão. A PF suspeita que ele teria auxiliado o grupo em suas tratativas junto ao governo federal. Quando as suspeitas sobre ele vieram à tona, Marcola divulgou nota em que afirma que pegou um empréstimo com Roberta e que foi quitado com correção monetária, de forma que ele pagou a ela R$ 249 mil. O material faz parte do inquérito que apura a atuação de Roberta, Fernando Bittar e Lulinha junto ao Ministério da Saúde para tentar obter um contrato de venda de medicamentos à base de canabidiol para o Sistema Único de Saúde (SUS,) que não chegou a ser fechado.Mesmo assim, a PF quer avançar nas investigações sobre a atuação do grupo nesta frente e em outra, envolvendo a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). Procurado, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, afirmou que a defesa não tem condições de atestar a autenticidade das mensagens divulgadas pela revista e a cadeia de custódia das provas mencionadas pela Polícia Federal e criticou as alegações do relatório. "No próprio relatório vazado vimos que não há certeza sobre nada, eles só lançam hipóteses, com o objetivo de desgastar o filho do presidente em plena campanha eleitoral". O Valor procurou os demais citados na publicação, mas ainda não houve retorno.