A empresária Roberta Luschinger, apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da silva, negou à Polícia Federal (PF) ter feito repasses de dinheiro a Lulinha. A empresária prestou depoimento nesta quarta-feira por cerca de uma hora por videoconferência no âmbito da investigação sobre fraudes no INSS. Em nota, a defesa afirmou que ela vem sendo alvo de "campanha difamatória", negou o envolvimento da empresária em irregularidades e disse que ela esclareceu vários pontos levantados pela investigação. O depoimento de Luschinger faz parte de um esforço da corporação de ouvir 35 investigados no caso para avançar as diferentes frentes de investigação. A empresária foi alvo de buscas da PF em dezembro por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela entrou no radar das investigações por ter recebido R$ 1,5 milhão de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para prestar consultoria sobre regulação do setor de canabidiol no Brasil e também por ter sido a responsável por apresentá-lo a Lulinha. A empresária chegou a ter seu sigilo bancário quebrado. Uma das suspeitas da corporação é de que a empresária seria a intermediária de repasses entre Antunes e Lulinha, que teria interesse em atuar no mercado de cannabis medicinal. Segundo nota divulgada por sua defesa, a empresária confirmou à PF que é amiga de Lulinha e da esposa dele há muitos anos e que "apresentou Antônio a Fábio em contexto social e, após a deflagração da operação, teve receio de que esse contato pudesse ser explorado politicamente, como de fato vem ocorrendo". À PF a empresária alegou ainda que Antunes sempre foi empresário reconhecido no setor farmacêutico e que prestou serviços a ele "relativos à regulação do mercado de canabidiol no Brasil, e que foi devidamente remunerada por isso". Segundo sua defesa, Luschinger disse em seu depoimento que não sabia a origem dos recursos da World Cannabis, empresa de Antunes e também que não sabia que o empresário estava envolvido em fraudes em descontos associativos do INSS. "Não conhecia qualquer atuação de Antônio Camilo Antunes relativa a descontos associativos de INSS, algo que só veio a tomar conhecimento com a deflagração da Operação Sem Desconto, a partir de quando encerrou a prestação de serviços e qualquer recebimento", informa a nota da defesa. A nota, assinada pelos advogados Bruno Salles Pereira Ribeiro, Cristiane Costa e Marco Antonio Chies Martins, diz ainda que o depoimento da empresária hoje teria desvelado a "tese acusatória". "Roberta tem sido alvo de verdadeira campanha difamatória. Sua trajetória foi eclipsada de maneira bastante misógina e preconceituosa, sendo reportada como herdeira, amiga, sócia, representante, socialite ou ainda, mais comum, e de maneira pejorativa, como ‘lobista’. Os esclarecimentos apresentados por meio de petição e ora oferecidos presencialmente desvelam por completo a tese acusatória desenhada inicialmente e vazada seletivamente de forma sistemática. Esperamos que após o depoimento, com a conclusão das apurações, sejam as investigações arquivadas em relação a sua pessoa, ante a demonstração da absoluta inexistência de qualquer conduta ilícita". O esquema de fraudes em descontos de aposentados e pensionistas começou em 2025, com a Operação Sem Desconto. Integrantes do comando do INSS foram presos e afastados do órgão. Lulinha não é formalmente investigado pela PF. Segundo manifestação recente de seu advogado, Marco Aurélio de Carvalho, o filho do presidente critica o vazamento de informações da apuração e diz que Lulinha está à disposição do STF para prestar esclarecimentos. Fachada da sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil