Em denúncia à PF, diretor de escola estadual afirma que Thiago Rangel apareceu para pressioná-lo a liberar recursos da conta de um colégio para a campanha de Thamires Rangel em 2024; defesa nega acusações O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) — Foto: Reprodução @thiagorangeloficial RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 23:00 Diretor escolar denuncia pressão para liberar verba de campanha política O diretor de uma escola estadual no Noroeste Fluminense denunciou à Polícia Federal pressão para liberar R$ 200 mil para a campanha de Thamires Rangel, filha do deputado Thiago Rangel. O deputado, preso na Operação Unha e Carne, teria pressionado o diretor via videochamada. A defesa nega as acusações e alega que a investigação se baseia em denúncias anônimas não verificadas, criticando o vazamento de informações sigilosas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um diretor de uma escola da rede estadual na Região Noroeste Fluminense afirmou à Polícia Federal ter sofrido pressão para liberar R$ 200 mil da conta de um colégio estadual para abastecer, segundo ele, a campanha eleitoral de Thamires Rangel, filha do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), preso na quarta fase da Operação Unha e Carne. Em denúncia anônima anexada à investigação, o servidor relata um esquema de cobrança de propina, no âmbito da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), e afirma que o parlamentar chegou a aparecer em uma videochamada para pressioná-lo a autorizar o pagamento. De acordo com o relato, o dinheiro sairia diretamente da conta do colégio por meio da emissão de uma nota fiscal fraudulenta e seria devolvido duas semanas depois. "A proposta seria emitir uma nota fiscal falsa de serviço e o dinheiro seria devolvido 15 dias depois. Houve muita pressão para que eu fizesse a transferência, mas me neguei. Tenho provas dessa ligação, mas afirmo que não gostaria de comprometer meu nome por medo do que podem fazer comigo e minha família", escreveu o servidor público. O diretor narra que as cobranças se intensificaram após a recusa inicial. Ele afirma que o assessor parlamentar de Thiago Rangel, Luis Fernando Passos de Souza, identificado como “pastor”, chegou a fazer uma chamada de vídeo na qual o deputado apareceu defendendo a liberação do pagamento. A Polícia Federal afirma que conversas extraídas do celular do parlamentar apontam Luis Fernando como operador financeiro do grupo investigado. "Recebi várias ligações do representante da empresa e até mesmo uma videochamada do assessor Luis Fernando, que, ao virar a câmera, apareceu com o deputado Thiago Rangel, afirmando que estava à frente da obra e que eu poderia pagar sem problemas, porque mandaria mais emendas para outras etapas da obra", declarou. Em outro trecho da denúncia, o diretor afirma que as cobranças eram feitas diretamente por WhatsApp e que havia pressão para a liberação antecipada dos recursos. Segundo ele, outros diretores da rede estadual também eram coagidos a efetuar os pagamentos em três parcelas, de 30%, 40% e 30%. "Antes mesmo da obra começar, foi solicitado que as escolas efetuassem a primeira parcela. Como não fiz, insistentemente ficaram perguntando se eu já havia pago a empresa", relatou. Depois disso, diante das novas cobranças, o diretor afirma que decidiu reunir o conselho escolar e registrar em ata que a unidade não faria pagamentos antecipados antes da conclusão das obras. Segundo ele, a reação foi imediata e culminou na ligação de vídeo com Rangel. 'Cansado de tanta corrupção' O servidor disse ainda que empresários do setor relataram cobranças de propina de 30% sobre a venda de mercadorias destinadas às escolas. Ao final do depoimento, ele afirma ter pedido exoneração do cargo por estar “cansado de tanta corrupção”. Os relatos constam de um dossiê reproduzido pela PF na representação policial enviada ao Supremo Tribunal Federal. A PF sustenta que o esquema envolvia o direcionamento de obras em escolas estaduais para empresas previamente escolhidas, com posterior repasse de parte dos recursos públicos aos integrantes da suposta organização criminosa. No documento enviado ao STF, a PF também afirma haver indícios de que o esquema tenha se expandido para dentro da Seeduc após a eleição de Thiago Rangel para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A corporação cita suspeitas de direcionamento de contratos de reformas escolares para empresas ligadas ao grupo político do parlamentar, com atuação justamente no Norte e Noroeste Fluminense. Para os investigadores, a denúncia do diretor da escola é “repleta de detalhes” e “convergente” com provas já reunidas em outra apuração, a Operação Postos de Midas. Nela, deflagrada em 2024, a Polícia Federal apontou indícios de enriquecimento acelerado de Thiago Rangel em um intervalo de dois anos. Ao concorrer a vereador em Campos dos Goytacazes, em 2020, ele declarou bens de R$ 224 mil. Já em 2022, na eleição para deputado estadual, o patrimônio informado à Justiça Eleitoral saltou para mais de R$ 1,9 milhão. Mala com R$ 500 mil A investigação da Polícia Federal também encontrou, no celular do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), um vídeo que mostra uma mala recheada de dinheiro em espécie. Segundo a corporação, as imagens registrariam cerca de R$ 500 mil em cédulas e fariam parte de um suposto esquema de caixa dois para financiar campanhas políticas em Campos dos Goytacazes nas eleições municipais de 2024. Na mesma representação enviada ao STF, os investigadores suspeitam que o montante integre um acordo mais amplo, estimado em R$ 2,9 milhões, destinado ao grupo político de Rangel. A PF afirma que parte dos recursos seria usada também na campanha de Thamires Rangel, além de outros candidatos aliados no Norte Fluminense. Os investigadores apontam ainda suspeitas de participação do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil) na articulação dos repasses. Bacellar nega irregularidades. Procurada, a defesa do deputado estadual Thiago Rangel afirmou que o parlamentar é inocente e que os fatos atribuídos a ele pela Polícia Federal vêm sendo “equivocadamente imputados” e reproduzidos “acriticamente” pela imprensa. Segundo os advogados, a investigação se apoia em uma denúncia anônima “sem qualquer tipo de verificação prévia”, com alegações consideradas “absolutamente inverídicas”. A defesa também negou que Rangel tenha operador financeiro ou que tenha recebido recursos ilícitos. Os advogados sustentam que os valores em espécie mencionados decorrem da atividade empresarial do deputado no ramo de postos de combustíveis e afirmam que todas as acusações serão refutadas nos autos. A nota ainda critica o vazamento de peças sob sigilo judicial, classificando a divulgação como uma tentativa de “condenação prematura e injusta” do parlamentar perante a opinião pública. Na íntegra, a defesa declarou: “A defesa de Thiago Rangel mais uma vez reafirma a inocência do deputado face aos fatos que lhe estão sendo equivocadamente imputados pela Polícia Federal, e acriticamente reproduzidos pela mídia. A ilação em questão diz respeito a denúncia anônima, sem qualquer tipo de verificação prévia, noticiando fatos absolutamente inverídicos e sendo absurda a veiculação desse mero papel como se verdade fosse Frise-se ainda que Thiago Rangel jamais possuiu operador financeiro, jamais recebeu repasse de valores ilícitos de quem quer que seja, e jamais praticou fraudes em sua absolutamente lícita e regular atividade empresarial. Atividade, aliás, de postos de combustíveis, que como é notório gera renda precisamente na modalidade de dinheiro que vem sendo acriticamente noticiada: em espécie. Tudo será desmentido no local próprio, os autos, repudiando-se toda tentativa de condenação prematura e injusta do deputado perante a opinião pública, ainda mais com utilização de peças processuais que estão sob sigilo, em manifesto desrespeito ao segredo de justiça imposto aos autos. Tais criminosos vazamentos não podem, nem devem, ser tolerados”.
Deputado preso: diretor de escola denunciou à Polícia Federal ter sofrido pressão para liberar R$ 200 mil para campanha da filha de Thiago Rangel
Em denúncia à PF, diretor de escola estadual afirma que Thiago Rangel apareceu para pressioná-lo a liberar recursos da conta de um colégio para a campanha de Thamires Rangel em 2024; defesa nega acusações















