A semana foi dominada pelo vazamento dos áudios em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, parcelas do financiamento do filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro. Revelado pelo Intercept Brasil, o caso se agravou quando outra reportagem apontou que Eduardo Bolsonaro assinou contrato com poderes sobre o orçamento da produção e teria orientado o envio de recursos a um fundo no Texas, o Havengate. O assunto atingiu o pico no dia 14 de maio, mas segue bastante relevante.

Segundo os dados da Palver, que analisa em tempo real mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram, o tema dominou a conversa política da última semana. O volume de mensagens cresceu de forma acentuada desde o momento em que os áudios foram relevados, no dia 13 de maio, e "Vorcaro" aparece em 46% de todas as mensagens que citam a família Bolsonaro. As menções ao pré-candidato Romeu Zema triplicaram após o vídeo criticando Flávio Bolsonaro.

O bolsonarismo organizou uma resposta rápida e coordenada nas redes. Apesar disso, apenas 38% das mensagens que se posicionaram saíram em defesa de Flávio. O principal argumento a favor é que se trata de um vazamento "seletivo" e "criminoso", obra de um "portal petista" destinada a atingir quem "lidera as pesquisas". O Intercept é citado em 10% de todas as mensagens do recorte, em geral acompanhado de uma narrativa de perseguição, uma vez que, segundo argumentam, se trata de uma "captação privada", "filme privado", "zero de dinheiro público".