Uma parte dos R$ 61 milhões que teria sido repassado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para suposto financiamento do filme Black Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi transferida pela Entre Investimentos e Participações. Segundo reportagem do site Intercept Brasil, que revelou os áudios trocados pelo senador e pelo banqueiro nesta quarta-feira (13), o dinheiro foi enviado pela Entre para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, após recusas do setor de câmbio do Banco Master para realizar a operação. “Vorcaro, então, orientou que o pagamento fosse realizado ‘via entre’, uma referência à empresa Entre Investimentos e Participações”, diz o Intercept. De acordo com a reportagem, em março de 2026, após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da Entrepay, uma empresa que pertencia ao Grupo, autoridades passaram a investigar a suspeita de que Vorcaro atuaria como dono oculto da empresa. Ao Valor, o publicitário Thiago Miranda afirmou que procede a informação de que ele intermediou a negociação que levou Vorcaro a fazer repasses para a Entre Investimentos para bancar o filme sobre o ex-presidente. Segundo o publicitário, as transferências foram suspensas com a crise do Master e a ideia era que a ligação de Vorcaro com a produção não se tornasse pública. O BC decretou a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento e, por extensão, da Acqio Adquirência e da Octa Sociedade de Crédito Direto, instituições integrantes do Conglomerado Entrepay “pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição líder do conglomerado, bem como por infringência às normas que disciplinam sua atividade e por prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores". Com a liquidação pelo BC, ficaram indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores das instituições. O grupo Entre é liderado por Antônio Carlos Freixo Júnior, que foi alvo da operação Compliance Zero. Segundo o BC, trata-se de um conglomerado prudencial de porte pequeno e enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial. Em dezembro de 2025, o conglomerado detinha aproximadamente 0,009% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN). As entidades liquidadas não possuem captações por intermédio de instrumentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Freixo, conhecido como Mineiro, também é citado em um esquema de manipulação de preços de ativos investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e que foi liderado por Daniel Vorcaro, do Banco Master. O grupo adquiriu uma série de negócios e criou o "ecossistema Entre". Já a Entrepay foi fundada em 2022, quando comprou a Global Payments. Segundo a Polícia Federal, a Entre Investimentos emitiu R$ 71 milhões em títulos pagos pelo Master com vencimento em 2025. A Entre Payments recebeu um aporte de R$ 213 milhões do Fundo Máxima —que pertencia ao banco — e R$ 330 milhões em pagamento de debêntures do Master, revela o Intercept. A PF suspeita que Freixo Júnior seja um dos operadores financeiros da rede criada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A reportagem cita ainda o inquérito sobre o Master, no qual a Entre é citada por ter comprado em um único dia 43% das cotas de uma empresa da família Vorcaro, gerando para ela um retorno de 22,2% em 24 horas, ganho incompatível com o valor real dos ativos. Antes de criar o grupo Entre Investimentos, em 2016, Mineiro passou quase 30 anos no Banco Garantia e Credit Suisse. Antonio Carlos Freixo Junior, dono do Grupo Entrepay, liquidado pelo Banco Central nesta sexta-feira (27) — Foto: Reprodução/LinkedIn