Parlamentar diz que foi procurado para apoiar peça teatral gospel em São Bernardo do Campo (SP) O deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT-SP) — Foto: Divulgação/Alesp RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 14:57 Deputado retira emenda de ONG ligada a filme sobre Bolsonaro após irregularidades O deputado Luiz Fernando Teixeira (PT) retirou uma emenda de R$ 190 mil destinada a uma ONG ligada à produtora do filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro, após ser informado de problemas legais e de que a ONG não receberia o recurso devido ao cadastro vencido. A decisão reflete a postura do parlamentar em não apoiar iniciativas associadas ao ex-presidente, criticando sua política de ódio e desigualdade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT) pediu a exclusão de emenda impositiva apresentada por ele próprio em favor de uma ONG ligada à produtora do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele diz ter sido procurado para apoiar uma peça de teatro gospel na cidade de São Bernardo do Campo, seu reduto eleitoral em São Paulo. "Após tomar conhecimento dos problemas em que esta ONG está envolvida, o deputado notificou o governo do estado sobre a intenção da retirada do repasse. O parlamentar também foi informado pela assessoria que a entidade já não receberia o recurso por conta de seu cadastro de entidades estar vencido", informou a equipe do deputado. Luiz Fernando é irmão do deputado federal e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT), e tem relação próxima com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), e com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Na nota distribuída à imprensa, ele afirma que "seria inadmissível que um mandato progressista, que tem como valores os direitos humanos, o respeito, a igualdade e a democracia, destinasse emenda através de uma entidade envolvida em uma homenagem a um ex-presidente que prega ódio, desigualdade e mentiras". A previsão de repasse para a ONG Instituto Conhecer Brasil, presidida por Karina Ferreira da Gama, uma das sócias da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme de Bolsonaro, foi revelada pelo site "Metrópoles" e confirmada pelo GLOBO. A emenda, de R$ 190 mil, deveria ser paga este ano, mas ainda não havia sido executada. Todos os anos, os parlamentares têm direito a indicar gastos obrigatórios no orçamento público do estado, com projetos de sua preferência. Cabe ao Executivo realizar os empenhos e pagamentos, conforme calendário próprio. No entanto, o governo não pode se negar a destinar o recurso, a não ser que haja problemas legais, ocasião em que os deputados precisam modificar as propostas. Além de Luiz Fernando, três deputados bolsonaristas da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) indicaram CNPJs controlados por Karina para emendas, e R$ 300 mil foram efetivamente pagos. Gil Diniz (PL), conhecido como "Carteiro Reaça", enviou R$ 200 mil para a Associação Nacional de Cultura, sob a justificativa de bancar a produção da série documental Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rende. O valor foi pago em agosto de 2025. Diniz não respondeu às tentativas de contato. Dois anos antes, a deputada Valéria Bolsonaro (PL), ex-secretária estadual de Políticas para a Mulher, enviou R$ 100 mil para o Instituto Conhecer Brasil com a finalidade de "aquisição de equipamentos". A emenda, de execução obrigatória, foi executada em 28 de dezembro daquele ano. A assessoria da parlamentar não prestou esclarecimentos. O terceiro é Lucas Bove (PL), que indicou R$ 213 mil para o mesmo instituto, desta vez para um projeto esportivo. A emenda, contudo, foi "impedida tecnicamente" e acabou não sendo executada. O termo se refere a alguma falha no processo, o que pode envolver descumprimento de prazos, ausência de projeto, documentação reprovada ou desistência, por exemplo. "Recebi um projeto voltado ao esporte infantil que parecia interessante, porém redirecionei o recurso por questões documentais do proponente. O instituto não apresentou a documentação técnica para execução, aí resolvi redirecionar para outro projeto", alegou o deputado. 'Dark Horse' O financiamento do filme "Dark Horse" é objeto de investigação da Polícia Federal. Na semana passada, o site "Intercept Brasil" divulgou áudios em que o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) cobrava pagamentos ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Pelo menos R$ 61 milhões foram enviados por um negócio controlado pelo banqueiro a um fundo americano. Existe a suspeita de que o pagamento possa ter sido usado para outras finalidades, como a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, uma vez que o seu advogado de imigração está envolvido na movimentação financeira. O ex-deputado federal classificou a linha de investigação como "tosca" e disse que não teve qualquer ingerência sobre o dinheiro. Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino também cobrou explicações de deputados federais do PL em razão de emendas dirigidas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura. A apuração é preliminar e tem como foco um possível descumprimento de uma decisão anterior da Corte que determinou transparência e rastreabilidade às chamadas "emendas Pix", além de um eventual redirecionamento oculto para o filme de Bolsonaro. Um dos deputados que respondem no caso é o ex-ator Mário Frias (PL), que faz parte do elenco de "Dark Horse" e assina o roteiro do filme. Ele enviou R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil através de duas emendas: uma delas era destinada à capacitação de adultos e adolescentes em "letramento digital" para o ensino digital a alunos de 4º e 5º anos de escolas públicas municipais, e a outra para implementação do projeto de artes marciais "Lutando pela vida" em São Paulo. Reportagem do site "UOL" apurou ainda que Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP) enviaram R$ 1 milhão cada para o governo de São Paulo, através de transferências especiais, mecanismo que ficou conhecido como "emendas Pix" e não permite verificar o destino final sem fazer um cruzamento complexo de dados. Neste caso, era para a "Academia Nacional de Cultura", sob justificativa de bancar a produção Heróis Nacionais. Marcos Pollon (PL-MS) complementou com R$ 500 mil, e Bia Kicis (PL-DF), com mais R$ 150 mil.