O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e o coordenador do Grupo Prerrogativas, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, e o advogado Reinaldo Santos de Almeida, acionaram, nesta terça-feira (19), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o filme “Dark Horse”, obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na semana passada, o site Intercept Brasil revelou conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar a produção. Conforme revelou o site, ao menos R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. O dinheiro teria sido recebido por um fundo no Texas (EUA), ligado a aliados do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Na petição, os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedem a proibição da exibição, distribuição, publicidade e impulsionamento do filme durante o período eleitoral de 2026. O objetivo é impedir que a produção seja usada como propaganda eleitoral dissimulada durante o pleito. “O conjunto de fatos revela possível engrenagem de financiamento político paralelo: agentes políticos, banqueiro investigado, estrutura empresarial estrangeira, fundo no exterior, contratos privados, valores milionários, obra de exaltação política e lançamento estratégico no período eleitoral”, afirmam os autores. A representação aponta risco de abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação e financiamento político irregular, diante da previsão de lançamento da obra às vésperas do período eleitoral, em setembro de 2026. “A magnitude financeira, combinada com o conteúdo biográfico-político da obra e com o calendário de lançamento próximo à eleição presidencial, aproxima o caso de uma operação de comunicação política de massa”, informa a peça. Nesse sentido, argumentam que a exibição de "Dark Horse" no período eleitoral poderia criar uma “vantagem comunicacional incompatível com a igualdade de chances”, enquanto candidaturas regulares devem observar limites de gastos e outras regras eleitorais. O documento também destaca contradições sobre quem efetivamente recebeu os recursos, levantando suspeitas de triangulação internacional, caixa 2, doação empresarial indireta e lavagem de dinheiro. “Se houve negociação milionária e se pagamentos foram realizados, torna-se indispensável identificar quem recebeu, por qual contrato, em qual país, por qual rota financeira e com qual destinação”, afirmou. Os autores ainda citam a decisão do TSE de 2022 que proibiu a exibição do documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, da Brasil Paralelo, às vésperas do segundo turno presidencial. Na ocasião, a corte eleitoral reconheceu que o filme poderia ter efeito colateral abusivo. Nesse sentido, argumentam que o novo filme é ainda mais grave porque envolve orçamento maior, possível envolvimento de Vorcaro e possibilidade de outros crimes, o que exige a necessidade de investigação. "O caso 'Dark Horse' apresenta elementos ainda mais graves do que o precedente de 2022: orçamento multimilionário, possível financiamento por banqueiro preso em investigação de fraude, estrutura estrangeira, fundo sediado nos Estados Unidos, atuação direta dos filhos de Jair Bolsonaro, contradições sobre a origem e destino dos valores, possível lavagem de dinheiro, caixa 2 eleitoral, doação empresarial indireta e benefício direto ao campo político do pré-candidato Flávio Bolsonaro", finalizaram. Por fim, ainda pedem que o TSE comunique a Polícia Federal (PF), o Banco Central, a Receita Federal, o Ministério da Justiça e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre o caso, para a apuração de suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, ocultação de beneficiário final, fraude cambial, falsidade documental, crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa e outros ilícitos conexos. Pôster de "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro — Foto: Divulgação