Autoridades mandaram moradores procurarem locais mais altos e suspenderam parte das buscas diante do risco de rompimento de barreira formada por detritos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Imagens mostram momento em que ‘tsunami’ de lama atinge o Nepal — Foto: Reprodução/X Um lago formado em meio aos escombros da enxurrada que devastou áreas do Nepal e do Tibete nesta semana começou a transbordar e colocou autoridades dos dois lados da fronteira novamente em alerta nesta sexta-feira. O temor é que o acúmulo de milhões de metros cúbicos de água provoque uma nova inundação ou uma avalanche de lama na mesma região onde a tragédia já deixou ao menos 469 mortos no lado nepalês. O novo risco levou à interrupção de parte das operações de busca e resgate. Segundo a emissora estatal chinesa CCTV, equipes de emergência que avançavam em direção à área mais atingida receberam ordem para recuar e permanecer em locais seguros enquanto especialistas acompanham o nível da água. No Nepal, a polícia também emitiu um alerta e orientou moradores das áreas ameaçadas a procurar abrigo. "Fomos informados sobre o rompimento de um lago no lado tibetano. Pedimos a todas as equipes de segurança e resgate, bem como ao público, que permaneçam em alerta, procurem abrigo imediatamente e comuniquem quaisquer incidentes", informou a polícia nepalesa. O reservatório se formou depois que enormes quantidades de lama, pedras e outros detritos bloquearam um curso d'água durante a catástrofe de quarta-feira. A barreira natural passou a represar a água e criou um lago próximo à passagem fronteiriça de Gyirong, uma das principais ligações terrestres entre o Nepal e o Tibete. Veja fotos das Inundações no Nepal 1 de 13 Casas ficam parcialmente submersas em água barrenta ao longo da margem de um rio após inundações — Foto: Prabin RANABHAT / AFP 2 de 13 Casas ficam parcialmente submersas em água barrenta ao longo da margem de um rio — Foto: Prabin RANABHAT / AFP X de 13 Publicidade 13 fotos 3 de 13 Equipes de resgate usam uma escavadeira para transportar uma pessoa afetada por inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 26 de agosto de 2026 — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 4 de 13 Casas ficam inundadas de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 5 de 13 Equipes de resgate carregam uma pessoa afetada por inundações repentinas em Devghat — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 6 de 13 Uma casa fica inundada de lama após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot — Foto: Prabin RANABHAT / AFP X de 13 Publicidade 7 de 13 Moradores observam casas parcialmente submersas em água barrenta após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal, — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 8 de 13 Uma casa fica parcialmente submersa em água barrenta após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 9 de 13 Moradores observam uma torrente de água barrenta avançar por um rio após inundações repentinas no Nepal em 26 de agosto de 2026. — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 10 de 13 Uma torrente de água barrenta avança por um rio após inundações repentinas em Galchhi, no distrito de Dhading, no Nepal — Foto: AFP X de 13 Publicidade 11 de 13 Uma inundação massiva atingiu o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, em 26 de agosto, danificando estradas e a infraestrutura de energia enquanto as autoridades se mobilizavam para avaliar a extensão da destruição — Foto: Prabin RANABHAT / AFP 12 de 13 Casas ficam inundadas de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 13 de 13 Uma casa fica inundada de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prabin RANABHAT / AFP Imagens aéreas mostraram o acúmulo de água na região, inicialmente sem uma saída aparente. Nesta sexta-feira, autoridades informaram que o lago começou a transbordar. A situação elevou o risco de uma descarga repentina de água e detritos em direção às áreas mais baixas. Equipes de resgate chegaram a ser retiradas preventivamente enquanto moradores deixavam pontos ameaçados e buscavam terrenos mais elevados. A área represada fica a cerca de 2.950 metros de altitude, quase mil metros acima da passagem de Gyirong. A diferença de altitude preocupa especialistas e autoridades porque, em caso de rompimento brusco da barreira formada pelos detritos, a água pode ganhar grande velocidade durante a descida e desencadear novas inundações e deslizamentos. O risco também é agravado pela previsão de continuidade das chuvas. Segundo informações divulgadas pela imprensa estatal chinesa, o nível da água pode continuar aumentando nos próximos dias, elevando a pressão sobre a barreira natural. A passagem de Gyirong foi uma das áreas mais castigadas pela enxurrada de quarta-feira. Lama, pedras e água arrastaram construções e veículos, destruíram acessos e comprometeram estradas, pontes, redes de comunicação e outras infraestruturas na região montanhosa entre os dois países. As investigações iniciais apontam que a catástrofe começou com o colapso de uma grande massa de gelo e rochas numa região de geleiras do Himalaia. O material despencou de milhares de metros de altitude e avançou pelos vales, incorporando água, terra e pedras até se transformar numa enorme enxurrada. No Nepal, o número de mortos chegou a 490 nesta sexta-feira, segundo autoridades locais. Centenas de pessoas continuam desaparecidas. No lado tibetano, autoridades chinesas informaram ao menos três mortes e 558 desaparecidos, dos quais 260 seriam estrangeiros. As buscas têm sido dificultadas justamente pelos efeitos da enxurrada. Dezenas de pontes e quilômetros de estradas foram destruídos, isolando comunidades e obrigando equipes a utilizar helicópteros para chegar a determinadas áreas. Nesta sexta-feira, militares nepaleses também tentavam alcançar cerca de cem pessoas que ficaram presas em um túnel de um projeto hidrelétrico atingido pela inundação. Helicópteros foram enviados à região, mas a quantidade de lama e a dificuldade para localizar as entradas do túnel complicavam a operação.
Entenda como lago transbordado ameaça provocar nova tragédia no Nepal e no Tibete
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