A água represada, segundo as autoridades, está gradualmente esvaziando, reduzindo o risco de uma nova enxurrada repentina. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 vista aérea mostra casas inundadas por lama após enchentes repentinas em Devighat, no município de Bidur, distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prabin Ranabhat/AFP Equipes de emergência da China e do Nepal retomaram as operações de busca e salvamento nesta sexta-feira, após uma breve interrupção provocada pelo temor de que o rompimento do lago formado por água represada depois da avalanche de quarta-feira pudesse provocar novas inundações na região afetada na fronteira entre Nepal e Tibete. O número de mortos apenas do lado nepalês da fronteira chegou a 547, segundo a polícia do país, enquanto autoridades chinesas afirmam que um primeiro grupo de socorristas conseguiu chegar à principal área devastada pelo deslizamento de terra no lado tibetano — em uma operação que, pelo cenário descrito pelas autoridades, pode aumentar a contagem de mortos. Autoridades dos dois países anunciaram que o risco imediato representado pela água acumulada no lago está "diminuindo", após o rompimento de suas margens nas primeiras horas desta sexta. A água, segundo as autoridades, está esvaziando gradualmente, de modo que o risco de uma nova enxurrada repentina, como a presenciada na quarta-feira, é reduzido. Havia o temor que o volume de água — que chegou a ser estimado em 2 milhões de metros cúbicos, por uma emissora de TV chinesa — pudesse provocar uma nova torrente em áreas do curso baixo do rio. Antes da notícia sobre transbordamento, o tema chegou a ser tratado pelo presidente da China, Xi Jinping. Em uma reunião de altos dirigentes do Partido Comunista chinês, Xi instou as autoridades a concentrarem atenção no lago como parte dos esforços de resgate, pedindo para "acompanhar atentamente a estabilidade" do local, a fim de "adotar medidas eficazes para prevenir rigorosamente desastres secundários". No meio da tarde (manhã em Brasília) — horas depois de as autoridades nepalesas terem emitido um alerta de inundação, instando os moradores de áreas vulneráveis a buscar terrenos mais elevados —, as águas da cheia chegaram ao rio Trishuli. Embora a correnteza estivesse mais forte do que o observado anteriormente, ela não se comparava à situação em que o rio provavelmente se encontrava na quarta-feira, quando o desastre ocorreu. Com a retomada das operações, as autoridades nepalesas divulgaram um novo balanço sobre a crise no solo. O total de corpos resgatados das áreas atingidas subiu para 547, segundo a Polícia Nacional, enquanto o número de desaparecidos é estimado em 1,4 mil. Do lado tibetano, onde a divulgação das informações sobre a tragédia vem sendo controlada pelo regime chinês, apenas cinco mortes foram confirmadas até o momento. O avanço das buscas, porém, pode em breve revelar um cenário mais desolador, comparável às imagens divulgadas na quarta-feira. Há mais de 550 desaparecidos na zona. Entenda a origem da tragédia em Nepal e Tibete e o percurso da destruição — Foto: Arte/O GLOBO Um primeiro grupo de resgate chinês conseguiu chegar à principal área devastada pela avalanche no Tibete nesta sexta-feira, segundo informações da imprensa estatal, no mesmo dia em que o primeiro-ministro Li Qiang afirmou na reunião de cúpula do governo que a região presenciou uma "significativa perda de vidas". O premier esteve no distrito da tragédia mais cedo nesta semana. O primeiro grupo de resposta chinês, formado por 21 socorristas, chegou à área próxima ao posto de fronteira de Gyirong, entre Tibete e Nepal, por volta das 16h30 (5h30 em Brasília. A equipe em solo é auxiliada por cães-farejadores, que tentam encontrar sobreviventes sobre a lama e os escombros que varreram zonas habitadas e comerciais. Inundações deixam mortos no Nepal e deslizamento provoca 'numerosas' vítimas no Tibete Mais de 30 mil agentes de segurança nepaleses foram destacados para ajudar nos resgates, segundo a ONU. As autoridades nepalesas afirmaram que mais de 3,7 mil pessoas foram resgatadas até agora e divulgaram imagens que mostram funcionários uniformizados puxando pessoas à mão através de um rio de lama. O período de 48 a 72 horas após desastres com vítimas soterradas são normalmente uma janela crítica para encontrar sobreviventes. No caso dos dois países, localizados na cadeia de montanhas do Himalaia, os aspectos geográficos são por si só desafiadores. Além do relevo, a torrente deixou muitos quilômetros de estradas inutilizáveis e destruiu pontes. A perda de infraestruturas usadas para telecomunicações também são uma camada adicional de dificuldade para as operações de socorro e resgate. (Com AFP e NYT) *Matéria em atualização
Nepal e China retomam operações de resgate após rompimento de lago ameaçar nova inundação
A água represada, segundo as autoridades, está gradualmente esvaziando, reduzindo o risco de uma nova enxurrada repentina.












