Com 332 mortes confirmadas no Nepal e três na China, além de 1,3 mil desaparecidos, o risco de uma nova avalanche e a expectativa de chuva nos próximos dias ameaçam um agravamento da crise 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Imagem divulgada pelo Exército do Nepal em 26 de agosto mostra um militar resgatando um homem coberto de lama, afetado pelas grandes inundações e deslizamentos de terra ao longo da fronteira entre Nepal e Tibete — Foto: Nepalese Army / AFP Enquanto equipes de resgate e forças de segurança no Nepal e na China correm contra o tempo para localizar sobreviventes e levar ajuda urgente por via aérea e terrestre aos vales do Himalaia, que foram varridos por uma torrente de água, lama e destroços na quarta-feira, as autoridades alertam nesta quinta-feira para o risco de novas ondas de enchente e deslizamento de terra na região afetada. Com 332 mortes confirmadas no Nepal e três na China, além de 1,3 mil desaparecidos, o risco de novas avalanches como a que provocou o aumento do nível dos rios na véspera e a expectativa de chuva nos próximos dias ameaçam um agravamento da situação no solo. Em um cenário com um número relevante de potenciais vítimas soterradas, o terreno montanhoso da cordilheira do Himalaia seria um desafio por si só para as equipes de resgate, que costumeiramente trabalham com uma "janela de ouro" de 48 a 72 horas para resgate de vítimas com vida. A destruição de infraestrutura provocada pela torrente de água do dia anterior, que ainda está represada em alguns pontos da fronteira, é um fator que aumenta ainda mais o risco. Em uma entrevista à rede britânica BBC, o diretor do Centro de Estudos de Desastres da Universidade Tribhuvan, no Nepal, Basanta Raj Adhikari, afirmou que os especialistas acompanham o risco de que hajam novos deslizamentos, chamando de "segunda e terceira ondas". Embora a avaliação não seja conclusiva, um trabalho de monitoramento continua sendo realizado pelos especialistas, com a previsão de chuva para os próximos três dias sendo um fator central. Especialistas apontam que a catástrofe registrada na quarta-feira foi provocada por uma avalanche, que ao transferir sua energia cinética ao rio, provocou a onda de água e lama que varreu os dois países e avançou por quilômetros em território nepalês. Imagens transmitidas pela emissora estatal chinesa CCTV, porém, mostraram que o dano causado pelo deslizamento inicial criou uma espécie de lago perto de Porto Gyrong, com um volume estimado em 2 milhões de metros cúbicos de água. O escoamento de mais água para a zona criaria um risco real de transbordamento, arriscando um novo desbordoamento dos rios no lado nepalense da fronteira. (Com AFP e NYT) *Matéria em atualização