Desastre destruiu povoados e deixou centenas de estrangeiros sem localização; autoridades temem uma nova inundação por bloqueio em rio na fronteira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Enchentes e deslizamentos atingiram a fronteira entre Nepal e Tibete — Foto: AFP As equipes de resgate procuravam nesta quinta-feira cerca de 1.300 pessoas desaparecidas após as repentinas inundações e deslizamentos de terra que atingiram a fronteira entre o Nepal e o Tibete, região autônoma da China. Pelo menos 180 pessoas morreram, sendo 177 no lado nepalês e três no chinês, segundo balanços oficiais ainda preliminares. Um vídeo de vigilância gravado no lado chinês mostra o momento em que uma parede de lama e detritos avança sobre um edifício de vários andares e o engole, enquanto dezenas de pessoas correm para fugir. A enxurrada também arrastou ônibus e carros. A força da torrente foi tamanha que o episódio chegou a ser registrado como um “evento sísmico” de magnitude 5,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O fenômeno teria sido provocado pelo desmoronamento de uma geleira. No Nepal, a enxurrada atingiu o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, e o vale do Bhote Koshi, a leste da capital. Mais de 500 turistas estrangeiros estão desaparecidos Vinte e quatro horas depois do desastre, as autoridades do Nepal continuavam sem notícias de 823 pessoas, incluindo 517 turistas estrangeiros, segundo o Escritório de Turismo. Veja fotos das Inundações no Nepal 1 de 13 Casas ficam parcialmente submersas em água barrenta ao longo da margem de um rio após inundações — Foto: Prabin RANABHAT / AFP 2 de 13 Casas ficam parcialmente submersas em água barrenta ao longo da margem de um rio — Foto: Prabin RANABHAT / AFP X de 13 Publicidade 13 fotos 3 de 13 Equipes de resgate usam uma escavadeira para transportar uma pessoa afetada por inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 26 de agosto de 2026 — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 4 de 13 Casas ficam inundadas de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 5 de 13 Equipes de resgate carregam uma pessoa afetada por inundações repentinas em Devghat — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 6 de 13 Uma casa fica inundada de lama após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot — Foto: Prabin RANABHAT / AFP X de 13 Publicidade 7 de 13 Moradores observam casas parcialmente submersas em água barrenta após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal, — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 8 de 13 Uma casa fica parcialmente submersa em água barrenta após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 9 de 13 Moradores observam uma torrente de água barrenta avançar por um rio após inundações repentinas no Nepal em 26 de agosto de 2026. — Foto: Prakash MATHEMA / AFP 10 de 13 Uma torrente de água barrenta avança por um rio após inundações repentinas em Galchhi, no distrito de Dhading, no Nepal — Foto: AFP X de 13 Publicidade 11 de 13 Uma inundação massiva atingiu o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, em 26 de agosto, danificando estradas e a infraestrutura de energia enquanto as autoridades se mobilizavam para avaliar a extensão da destruição — Foto: Prabin RANABHAT / AFP 12 de 13 Casas ficam inundadas de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prakash MATHEMA / AFP X de 13 Publicidade 13 de 13 Uma casa fica inundada de lama após inundações repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal — Foto: Prabin RANABHAT / AFP Entre os estrangeiros não localizados estão 178 cidadãos da Índia, 65 dos Estados Unidos, 53 da Ucrânia, 51 da Malásia, 35 da Austrália, 33 do Reino Unido e 25 do Canadá. A Espanha informou que quatro de seus cidadãos também não foram localizados. No lado chinês, a imprensa estatal informou que o deslizamento de lama que atingiu o porto tibetano de Gyirong deixou 558 desaparecidos, entre eles 260 estrangeiros. As nacionalidades dessas pessoas não foram divulgadas. Raju Bhadel, morador nepalês de 56 anos, contou que recebeu uma ligação de seu cunhado durante as buscas. — Eles estavam chorando e disseram que toda a casa havia sido destruída. Três membros da família foram resgatados, mas seu irmão continua desaparecido — contou Bhadel. Enxurrada derruba ponte no distrito de Dhading, no Nepal Povoados inteiros foram destruídos Os socorristas avançavam com dificuldade pela lama e pelos destroços nas áreas atingidas, onde os deslizamentos soterraram os andares inferiores de edifícios de vários pavimentos. Subash Khatani também saiu à procura de um familiar desaparecido. — Ele está entre os desaparecidos de Rasuwa, por isso saímos para procurá-lo — afirmou Khatani. David Fisher, diretor no Nepal da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, alertou para a dimensão da destruição. — Povoados inteiros e áreas de comércio foram destruídos — afirmou Fisher. Os Estados Unidos prometeram US$ 500 mil em ajuda. O Exército nepalês realiza sobrevoos na região e resgatou dezenas de pessoas. Moradores de áreas próximas ao rio, consideradas de risco, receberam ordens para deixar suas casas. Autoridades temem nova inundação Especialistas alertam que o desastre pode não ter terminado. Um bloqueio no curso de um rio entre Nepal e China pode provocar uma nova inundação. — Como ainda há um bloqueio na parte alta do rio que faz fronteira entre Nepal e China, as autoridades alertam que uma segunda inundação pode ocorrer — explicou Qianggong Zhang, chefe de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD). A origem exata da enxurrada ainda está sendo investigada. Antes do desastre, especialistas haviam levantado a possibilidade de uma avalanche de gelo ter atingido o rio Lhende. O fenômeno teria aumentado o volume de água no sistema do Bhote Koshi e provocado a onda de lama e detritos. Lama atingiu o Tibete No lado chinês, a torrente atingiu o porto de Gyirong, uma área de comércio internacional na fronteira com o Nepal. Imagens de drones exibidas pela televisão estatal chinesa mostram edifícios soterrados por lama. O presidente chinês, Xi Jinping, determinou a mobilização de equipes e recursos para as buscas. — A tarefa mais urgente é fazer todo o possível para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas — afirmou Xi, segundo a emissora chinesa. O dalai-lama também se manifestou nesta quinta-feira e disse que reza pelas vítimas, além de pedir “medidas de ajuda adequadas”. As chuvas de monções, entre junho e setembro, costumam provocar enchentes e deslizamentos em diversas partes do sul da Ásia. Cientistas afirmam que as mudanças climáticas estão aumentando a frequência e a intensidade desses fenômenos extremos na região.