Uma massa de lama e rochas aparentemente desabou sobre um rio na fronteira do Nepal com o Tibete, na China, nesta quarta-feira, provocando uma inundação catastrófica no lado nepalês que matou pelo menos 22 pessoas e deixou centenas de turistas desaparecidos. Em um desastre que ainda está em curso, vídeos verificados mostraram dezenas de pessoas sendo arrastadas pela água na fronteira, enquanto autoridades dos dois lados temem um número muito maior de vítimas e uma destruição de grandes proporções. Casas, estradas e projetos de geração de energia foram arrastados no Nepal, enquanto autoridades no Tibete disseram temer um “grande número de vítimas”, com pessoas desaparecidas no condado de Gyirong depois que um deslizamento atingiu uma passagem terrestre na fronteira. Relatos iniciais indicam que um terremoto na região pode ter provocado uma avalanche e causado as inundações, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, ao Parlamento do país nesta quarta-feira, segundo a mídia local. Pelo menos 384 viajantes, entre eles 105 indianos, 93 nepaleses, três cidadãos americanos e 12 britânicos, estavam desaparecidos na região, informou a autoridade de turismo do Nepal. Separadamente, a agência de notícias sul-coreana Yonhap informou que cerca de oito cidadãos do país também estavam desaparecidos no Nepal. Alertas de inundação foram emitidos nos populosos Estados de Uttar Pradesh e Bihar, no norte da Índia, que fazem fronteira com o Nepal e recebem as águas de vários rios que descem das montanhas em direção às planícies indianas. Inundações atingem o Nepal e deixam rastro de destruição — Foto: Reprodução/Associated Press Especialista teme segunda inundação Imagens de câmeras de segurança registradas no lado chinês da fronteira entre Nepal e Tibete mostraram várias pessoas fugindo antes que uma massa de rochas, lama e água destruísse prédios e veículos e provocasse numerosas mortes. A causa exata do deslizamento não pôde ser determinada de imediato, mas o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ) informou que houve um terremoto de magnitude 4,4 aproximadamente sete minutos antes do horário registrado nas imagens das câmeras de segurança. Uma avalanche de gelo e rochas no rio Lhende Khola, no lado nepalês, teria desencadeado o desastre, mas a causa ainda não foi confirmada, afirmou Qianggong Zhang, chefe da área de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, com sede em Katmandu. “Como ainda há um bloqueio rio acima, no curso d'água da fronteira entre Nepal e China, as autoridades alertam que uma segunda inundação pode ocorrer”, afirmou Qianggong. Helicópteros de resgate não conseguiram pousar nas áreas afetadas de Syapru Besi e Timure, no montanhoso distrito nepalês de Rasuwa, que tem cerca de 50 mil habitantes, disseram autoridades. O rio corria acima de seu curso normal. Imagens de televisão mostraram casas destruídas em meio às águas, carros flutuando e uma ponte metálica sendo arrastada, enquanto testemunhas disseram à Reuters que a água engoliu vilarejos inteiros. “Pode haver um grande número de vítimas ou perdas materiais”, afirmou o administrador distrital Narendra Pariyar, que pediu aos moradores das margens do rio Bhote Koshi que se deslocassem para áreas mais elevadas, após relatos de vilarejos e instalações de projetos arrastados pelas águas. “Há destruição por todos os lados”, disse à Reuters Tula Bahadur BK, profissional de saúde em Rasuwa. “Os assentamentos próximos ao rio foram completamente arrastados. Cinco parentes meus estão desaparecidos.” Lama cobre casas e uma estrada após uma enxurrada em Trishuli, no distrito de Nuwakot, Nepal, em 26 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Navesh Chitrakar China diz que passagem de Gyirong foi atingida A agência oficial chinesa Xinhua afirmou que o deslizamento ocorreu no lado nepalês e atingiu a passagem de Gyirong, interrompendo estradas, comunicações e o fornecimento de energia na região de Shigatse, próxima à fronteira, mas não forneceu mais detalhes. A emissora estatal chinesa CCTV informou que as autoridades mobilizaram pelo menos 574 socorristas para a passagem terrestre de Gyirong. Um socorrista disse à CCTV que a equipe levaria pelo menos quatro horas para chegar ao local devido a uma camada de sedimentos de 1,5 metro de profundidade que bloqueava os caminhos de acesso à área afetada. Segundo ele, os detritos avançaram a partir do lado nepalês da passagem. O presidente chinês, Xi Jinping, pediu esforços “máximos” nas buscas pelos desaparecidos, além do reforço dos sistemas de monitoramento e alerta precoce para evitar novos desastres. O Ministério da Energia do Nepal informou que o fornecimento de 430 megawatts de eletricidade foi afetado, principalmente em projetos hidrelétricos. O volume representa mais de 12% da capacidade hidrelétrica total do país, de 3,2 gigawatts, de acordo com cálculo da Reuters. Policiais e militares participam das operações de resgate, afirmou o primeiro-ministro Balendra Shah. “Foram dadas instruções (...) para levar as pessoas que vivem nas áreas mais baixas para locais mais seguros”, afirmou. “As pessoas que vivem ao longo do rio são aconselhadas a redobrar os cuidados e permanecer em alerta.” O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmou que Nova Délhi está pronta para fornecer toda a assistência humanitária possível e que equipes dos dois países estão coordenando de perto as operações de resgate e ajuda. Com origem no Tibete, o rio Bhote Koshi deságua no rio Trishuli, no Nepal, que posteriormente segue para a Índia, onde recebe o nome de Gandak. Uma inundação no Bhote Koshi no ano passado matou nove pessoas e deixou 24 desaparecidas, além de destruir uma “Ponte da Amizade” que ligava Nepal e China, prejudicando o comércio e o transporte entre os dois países durante meses. A inundação de 2025 foi provocada pelo esvaziamento de um lago supraglacial no Tibete, conforme um órgão regional de monitoramento climático. Casas danificadas permanecem em situação precária perto das margens transbordadas e tomadas por destroços do rio Trishuli após enxurradas no distrito de Nuwakot, no Nepal, nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026 — Foto: AP Foto/Niranjan Shrestha
Avalanche de lama na fronteira entre Nepal e Tibete deixa mortos e centenas de turistas desaparecidos
Relatos iniciais indicam que um terremoto pode ter provocado inundações; 384 viajantes ainda não foram encontrados na região











