Desprendimento de bloco de gelo gerou tremor equivalente a terremoto e destruiu vilarejos na fronteira com o Tibete; buscas por sobreviventes continuam 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Imagens mostram momento em que ‘tsunami’ de lama atinge o Nepal — Foto: Reprodução/X Em um momento, a imponente passagem de fronteira parece tranquila. No seguinte, pessoas correm para salvar suas vidas enquanto as águas barrentas da inundação descem, destruindo vilarejos, pontes e outras estruturas da região. Cientistas apontaram o colapso de uma geleira como a causa da devastadora enchente relâmpago que matou pelo menos 362 pessoas e deixou mais de mil desaparecidas no Nepal e no Tibete, uma região montanhosa cada vez mais ameaçada pelos efeitos das mudanças climáticas causadas pelo homem. Avaliações iniciais baseadas em dados sísmicos e de satélite, bem como em vídeos do evento, indicam que uma seção muito grande de uma geleira se desprendeu e desabou. Isso, por sua vez, causou ondas sísmicas equivalentes a um terremoto de magnitude 5,2, disse o Serviço Geológico dos Estados Unidos ainda na quarta-feira. O gelo da geleira pode ter bloqueado o rio Lhende Khola, fazendo com que a água se acumulasse rapidamente e, depois, transbordasse rio abaixo. — O que certamente confirmamos é que houve uma grande avalanche de gelo, provavelmente uma mistura de gelo e rocha, que se desprendeu, tornou-se fluida e depois se transformou nesta enchente devastadora — disse Simon Allen, pesquisador associado da Universidade de Zurique que estuda riscos glaciais no Himalaia. Inundações deixam mortos e centenas de desaparecidos na fronteira entre o Nepal e a China Equipes de resgate avançam pela lama nesta quinta-feira em busca das cerca de 1,4 mil pessoas desaparecidas após o fenômeno, incluindo pelo menos 540 turistas estrangeiros, e especialistas alertaram para o risco de novas enchentes na região. Segundo o Conselho de Turismo nepalês, 31 viajantes foram localizados, incluindo dois americanos, dois russos, 11 indianos, quatro sul-coreanos e dois italianos. O primeiro-ministro Balendra Shah, que pediu para a nação do Himalaia “se unir” poucas horas após o desastre, visitou algumas das áreas mais afetadas nesta quinta-feira. Ele orientou as autoridades locais a “fornecerem socorro imediato às famílias desabrigadas” e a liberarem as estradas bloqueadas. Já o premier chinês, Li Qiang, visitou o Tibete para supervisionar o trabalho e “visitar socorristas e pessoas afetadas”. Autoridades do governo chinês no Tibete mobilizaram quase 800 trabalhadores de emergência, além de cães farejadores e lanchas rápidas para ajudar nos esforços de resgate, informou a agência de notícias Xinhua. A Federação da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, por sua vez, disse estar enviando suprimentos de emergência, incluindo cobertores, kits de primeiros socorros, macas e sacos para cadáveres. Região vulnerável O Nepal é particularmente vulnerável a enchentes relâmpago devido ao seu terreno montanhoso e às suas geleiras em rápido derretimento. Tais eventos estão se tornando mais frequentes à medida que o aquecimento global acelera o degelo no Himalaia, área que abriga mais neve e gelo do que qualquer outro lugar na Terra, exceto o Ártico e a Antártida. O fenômeno gera um efeito cascata — de deslizamentos de terra à escassez de água — para quase 2 bilhões de pessoas. A região de alta altitude está aquecendo quase duas vezes mais rápido que a média global, com temperaturas mais altas levando a um rápido recuo glacial. Geleiras em todo o planeta vêm encolhendo a cada ano há mais de três décadas, de acordo com o Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras. A recente aceleração na perda de gelo não deixa dúvidas de que o aquecimento global causado pelas emissões humanas de gases de efeito estufa na atmosfera é uma das causas principais, segundo pesquisadores apoiados pela ONU. O incidente de quarta segue um padrão de eventos semelhantes que atingiram a região do Himalaia nos últimos anos, incluindo um deslizamento de terra que desencadeou uma enchente em Chamoli, na Índia, em 2021, deixando cerca de 200 pessoas mortas ou desaparecidas. Embora os registros na região não retrocedam o suficiente para afirmar com certeza estatística se avalanches de gelo estão se tornando mais frequentes, os pesquisadores afirmam que esse é o padrão observado. — Este parece ser o maior desastre no Himalaia que já vimos — disse Allen. — Então, eu realmente espero que este seja um ponto de virada, e que haja mais foco e mais ênfase agora em reduzir os riscos para essas comunidades. (Com New York Times, Bloomberg e AFP)
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Desprendimento de bloco de gelo gerou tremor equivalente a terremoto e destruiu vilarejos na fronteira com o Tibete; buscas por sobreviventes continuam












