Gerando resumoUma enchente devastadora arrasou vilarejos perto da fronteira entre o Nepal e a região do Tibete, na China, na quarta-feira, deixando mais de mil pessoas desaparecidas. Pelo menos 335 mortes foram confirmadas, e espera-se que esse número aumente.Cientistas afirmaram que a enchente foi provavelmente desencadeada após um enorme bloco de gelo se desprender de uma geleira no alto das montanhas.A enorme torrente de lama, água, rochas e gelo varreu a área. Ela destruiu estradas, rompeu pontes, derrubou edificações e interrompeu as comunicações, deixando um rastro de destruição de 40 milhas de extensão.PublicidadePUBLICIDADEAs imagens abaixo são capturas de tela de gravações de câmeras de segurança que circularam nas redes sociais. Elas mostram o momento em que o deslizamento de terra atingiu a passagem de Gyirong, na fronteira da China com o Nepal.Nas imagens, veem-se pessoas tentando escapar da área; em seguida, uma enorme onda de lama e uma densa nuvem de escombros engolem um edifício-garagem e construções adjacentes. Em questão de segundos, o prédio desabou e pelo menos uma dúzia de veículos ficou soterrada pela lama.PublicidadeGravações de imagens de câmeras de segurança, publicadas em redes sociais chinesas, supostamente mostram a destruição causada por uma enxurrada repentina que atingiu o Porto de Gyirong, na Região Autônoma do Tibete, em 26 de agosto de 2026. Foto: CCTV/ AFPO deslizamento de lama avançou rio abaixo por pelo menos 72 quilômetros ao longo do rio Trishuli, destruindo edificações e pontes e inundando as áreas do entorno. O mapa abaixo mostra a trajetória de destruição, desde a passagem de fronteira de Gyirong até o interior do Nepal.Imagens de satélite capturadas na quarta-feira mostram danos causados ​​por inundações a cerca de 40 quilômetros a sudoeste da passagem de Gyirong.A força do deslizamento de terra gerou um sinal sísmico que registrou magnitude 5,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.PublicidadePoliciais nepaleses observam enquanto máquinas removem escombros após inundações repentinas no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 27 de agosto de 2026. Foto: Niranjan Shrestha/APBuscasAs buscas por mais de mil pessoas desaparecidas após a inundação devastadora no Himalaia entraram em seu segundo dia nesta quinta-feira, com equipes de emergência percorrendo vales montanhosos íngremes e vilarejos cobertos de lama em busca de sobreviventes e para entregar suprimentos.Autoridades de ambos os países, juntamente com organizações de ajuda humanitária, ainda avaliavam a dimensão da tragédia e enfrentavam dificuldades para determinar o número exato de desaparecidos.No Nepal, mais de 800 pessoas — incluindo cerca de 500 turistas estrangeiros — estavam desaparecidas até a manhã de quinta-feira, segundo a autoridade de gestão de desastres do país. Entre os turistas desaparecidos, havia mais de 130 indianos, além de viajantes dos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Canadá e Malásia.PublicidadeVoluntários utilizam tratores para remover lama e escombros de uma estrada após enchentes repentinas em Trishuli, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 27 de agosto de 2026. Foto: Arun Sankar/AFPNa China, pelo menos 558 pessoas estavam desaparecidas no condado de Gyirong, no Tibete, incluindo 260 estrangeiros, informou a mídia estatal chinesa. O Ministério das Relações Exteriores da China comunicou que 100 cidadãos chineses estavam desaparecidos no Nepal.O desastre provocou cortes de energia e interrompeu as comunicações em uma região já isolada, dificultando os esforços de socorro. A inundação destruiu dezenas de pontes e cerca de 40 quilômetros de estradas, informou o governo do Nepal.Imagens mostram início da inundação no Nepal; distrito de Rasuwa foi a principal região atingida"Desastre pode ter sido provocada por uma avalanche de gelo “que caiu no rio Lhende, mas a causa exata ainda será determinada”, declarou cientista. Crédito: Imagens: @FaytuksNetwork/@PyaraUKofficial/Viral Press 2/@JoMatrika/@prakashujyaloA Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho afirmou que as áreas mais atingidas eram de “acesso extremamente difícil”. Muitos suprimentos essenciais estavam sendo entregues por helicóptero. As Nações Unidas, citando autoridades nepalesas, informaram que cerca de 10 mil famílias necessitavam de “assistência imediata”.PublicidadeSaiba mais Vídeo: Avalanche de lama entre Nepal e Tibete deixa 165 mortos; centenas estão desaparecidosEnchentes destroem ponte em uma das principais rotas terrestres de comércio entre Nepal e ChinaNepal e Tibete buscam desaparecidos um dia após enchentes que deixaram centenas de mortosSobreviventesEm meio as buscas no Nepal e Tibete, os sobreviventes seguem atormentados pela enchente. Rajan Khatri, de 41 anos, um policial de Syabrubesi — uma das vilas ribeirinhas mais atingidas pelas cheias —, contou que recebeu uma ligação por volta das 9h10 (horário local) de um amigo, alertando-o de que uma enorme enxurrada repentina descia o curso do rio.Ele e seus colegas não tiveram tempo de reagir. Assim que desligou o telefone, ondas altas invadiram a delegacia.PublicidadeA força da água o arremessou para fora do prédio, e ele perdeu a consciência.Imagens mostram o momento em que deslizamento de terra engole uma cidade na fronteira entre o NepalO desastre resultou em um número significativo de vítimas e desaparecidos, destruiu o acesso rodoviário ao porto e soterrou vários edifícios. “Eu estava com um dos meus oficiais superiores quando a onda atingiu o local. Fui arremessado para fora, mas ele não teve a mesma sorte e acabou soterrado ou levado pela correnteza”, disse ele, de uma cama de hospital em Katmandu.“Não consigo descrever o tamanho das ondas. Elas engoliram prédios de vários metros de altura em frações de segundo”, afirmou. “Não era apenas água. Era uma mistura de rochas, areia e lama espessa.”PublicidadeDas sete pessoas que trabalhavam em sua delegacia, Khatri é um dos três que foram encontrados com vida. Ele disse estar preocupado em saber se os outros quatro haviam sobrevivido.Enchente derruba ponte no norte do Nepal próximo a fronteira com o TibeteAté o início da manhã desta quarta-feira, 26, ao menos 22 mortes foram registradas no Nepal e outros 384 turistas estão desaparecidos. Crédito: Reprodução/x/@manogyaloiwalAo recuperar a consciência, olhou ao redor e não viu nada além de escombros. Relatou que pelo menos 100 casas foram arrastadas, juntamente com o escritório de uma usina hidrelétrica, escolas e outras instalações governamentais.Khatri aguardou em meio aos escombros até ser resgatado na manhã de quinta-feira. Ele sofreu ferimentos no peito devido à força das águas da enxurrada.PublicidadeSmriti Ojha, de 17 anos, estava se arrumando para ir à escola em Trishuli, no distrito de Nuwakot, no Nepal, quando sentiu um tremor.Pessoas recebem atendimento em um hospital após enchentes repentinas na região de Devighat, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 27 de agosto de 2026. Foto: Arun Sankar/AFPInicialmente, ela pensou que fosse um terremoto — semelhante ao de 2015 que destruiu a casa de sua família. Ela saiu às pressas da casa alugada onde mora com amigos. Assim que saiu, viu ondas enormes.“Todos na casa conseguiram sair antes que fosse tarde demais, mas não conseguimos salvar nada”, disse ela, do leito do hospital onde recebia tratamento para um corte no pé direito. Sua família mais próxima, que mora a mais de oito quilômetros da área de destruição, está a salvo, mas quatro de seus parentes estão desaparecidos.Publicidade“Foi um terror”, disse ela. “Não consigo acreditar que tudo foi levado diante dos meus olhos.”Vale ler tambémAs lições para o Brasil da postura canadense em relação a TrumpPor que Trump está usando vistos de entrada nos EUA como ferramenta de pressão política?Quem está por trás da revolta contra os data centers nos EUA?