Tragédia é considerada uma das mais graves registradas no país desde o terremoto de 2015 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Imagens aéreas revelam rastro de destruição após deslizamento no Himalaia — Foto: Infoglobo Imagens aéreas mostram a dimensão da destruição provocada pela enxurrada de lama e detritos que atingiu a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, território ocupado pela China, na quarta-feira. O desastre deixou ao menos 389 mortos no Nepal e três no lado chinês, além de cerca de 1,4 mil desaparecidos nos dois países. A tragédia é considerada uma das mais graves registradas no Nepal desde o terremoto de 2015. A força da correnteza destruiu dezenas de pontes e danificou quase 40 quilômetros de estradas pavimentadas, segundo autoridades nepalesas. Mais de 24 horas depois do desastre, a água ainda não havia recuado completamente em algumas áreas. Vilarejos, vias e outras estruturas ficaram cobertos por uma espessa camada de lama escura. Imagens aéreas revelam rastro de destruição após deslizamento no Himalaia — Foto: Infoglobo A destruição atingiu áreas de difícil acesso, em meio ao terreno montanhoso do Himalaia. Segundo a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC, na sigla em inglês), as condições complicam a chegada de equipes e suprimentos às comunidades afetadas. — Nesses vales montanhosos e íngremes, estradas e pontes são conexões fundamentais para comunidades remotas — afirmou Gordon Wilcock, diretor regional para a Ásia-Pacífico da organização humanitária Direct Relief. A entidade fornece suprimentos médicos, mochilas de emergência e itens de higiene às áreas atingidas pelas enchentes. — O terreno montanhoso é uma barreira real para a entrega diária de suprimentos de emergência. Os impactos das enchentes tornam isso ainda mais difícil — disse Wilcock. Resgate em meio à lama Entre os desaparecidos estão pelo menos 540 turistas estrangeiros. Segundo o Conselho de Turismo do Nepal, 31 viajantes já foram localizados, entre eles dois americanos, dois russos, 11 indianos, quatro sul-coreanos e dois italianos. O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, visitou nesta quinta-feira algumas das áreas mais afetadas e orientou autoridades locais a prestar socorro imediato às famílias desabrigadas e liberar as estradas bloqueadas. Na China, o primeiro-ministro Li Qiang foi ao Tibete para acompanhar as operações e visitar socorristas e moradores afetados. No lado chinês, quase 800 trabalhadores de emergência foram mobilizados, além de cães farejadores e lanchas rápidas, segundo a agência estatal Xinhua. A Federação Internacional da Cruz Vermelha também anunciou o envio de cobertores, kits de primeiros socorros, macas e sacos para cadáveres. O que provocou a enxurrada? Análises preliminares de dados sísmicos e de satélite, além de vídeos registrados no momento do desastre, indicam que uma enorme massa de gelo se desprendeu de uma geleira e desabou pela encosta. O impacto gerou ondas sísmicas equivalentes às de um terremoto de magnitude 5,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O desprendimento pode ter bloqueado temporariamente o rio Lhende Khola, fazendo com que a água se acumulasse rapidamente antes de romper a barreira e avançar pelo vale. — O que certamente confirmamos é que houve uma grande avalanche de gelo, provavelmente uma mistura de gelo e rocha, que se desprendeu, tornou-se fluida e depois se transformou nesta enchente devastadora — afirmou Simon Allen, pesquisador associado da Universidade de Zurique que estuda riscos glaciais no Himalaia. Segundo especialistas, um bloco de gelo de aproximadamente 600 metros de largura se desprendeu repentinamente da geleira na quarta-feira. A massa teria despencado cerca de 1.200 metros, a partir de uma altitude de aproximadamente 5.200 metros, carregando gelo, água e sedimentos para o fundo do vale. O glaciologista Simon Cook, da Universidade de Dundee, na Escócia, que também participou da análise das imagens de satélite, explicou que a combinação entre a enorme massa de gelo e a altura da queda produziu uma quantidade gigantesca de energia. — É um enorme bloco de gelo armazenado em uma região elevada da montanha, com uma quantidade gigantesca de energia potencial — afirmou Cook. À medida que a massa desce pela encosta, a força do impacto pulveriza o gelo e o mistura com água e rochas, criando uma corrente capaz de avançar rapidamente pelo vale. O episódio também chama atenção para os riscos associados ao derretimento das geleiras no Himalaia, uma das regiões do planeta que mais aquecem. Segundo pesquisadores, o recuo do gelo pode criar novas condições para que avalanches e outros fenômenos provoquem o deslocamento repentino de grandes volumes de água. (Com New York Times, Bloomberg e AFP)