Aguardado há anos pelo setor elétrico e mesmo com interesse recorde de grupos privados, o primeiro leilão de baterias do Brasil já nasceu ameaçado. Previsto para dezembro deste ano, o certame está hoje na fase de consulta pública do edital, mas já há quem dê o adiamento do processo como certo.
A incerteza é fruto do que vem sendo tratado por integrantes do setor como uma espécie de "pecado original": a determinação de que as baterias serão custeadas só pelos geradores de energia, não pelo sistema geral. Nesse último caso, o custo seria repassado aos consumidores via encargos na tarifa.
A regra foi incluída em lei sancionada em 2025. No entanto, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) ainda não definiu como será o rateio desse encargo, ou seja, quais geradores vão dividir essa conta e quanto cada um deverá pagar.
É essa indefinição, somada à insatisfação de parte do setor elétrico com a medida, que pressiona o leilão contra o calendário.
O argumento dos representantes dos setores de baterias e de geradores de energia eólica e solar é que o certame será na modalidade de reserva de capacidade —contratação de potência extra para garantir abastecimento em caso de necessidade— e que isso é um requisito do sistema como um todo, não só de alguns atores.









