Primeiro leilão de armazenamento está previsto para dezembro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O primeiro leilão de contratação de sistemas de armazenamento de energia, previsto para dezembro, deve destravar um novo segmento em negócios em um momento em que investimentos em geração renovável estão suspensos diante do “curtailment”, os cortes impostos pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) nos momentos de excesso de oferta de eletricidade. Especialistas avaliam que armazenar essa energia excedente para uso nos momentos de maior demanda trará mais flexibilidade e segurança à operação. “Isso inaugura um negócio muito positivo”, diz o presidente da CPFL Energia, Gustavo Estrella. “O armazenamento veio para ficar e os sistemas de curta e longa duração serão essenciais para a expansão das fontes renováveis variáveis”, diz Thiago Prado, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Ao todo, 6.091 projetos, que somam 296.807 MW de potência, foram cadastrados para a disputa. Parte deles são repetidos, e agora a EPE fará avaliação daqueles que poderão participar dos certames. O Ministério de Minas e Energia dividiu a contratação em dois leilões com dois produtos: um com exigência de conteúdo nacional do BNDES e o outro aberto à concorrência internacional. “Estamos estudando a participação e temos conversado com os fabricantes de baterias para os dois produtos que serão leiloados”, diz a presidente da Elera Renováveis, Karin Luchesi. Ela concorda que baterias podem ajudar a reduzir parte do curtailment ao deslocar a energia produzida em horários de menor consumo para momentos em que o sistema precisa de mais geração. Isso pode levar players a buscarem participar de projetos no Nordeste, onde há concentração de usinas solares e eólicas. Temos conversado com os fabricantes de baterias para os dois produtos que serão leiloados” “Nossa expectativa é bastante positiva. Estamos em diálogo com os principais agentes do setor elétrico, que têm demonstrado grande interesse em soluções com conteúdo nacional”, afirma Manfred Johann, vice-presidente de automação e sistemas da WEG. A companhia anunciou recentemente a construção de uma nova fábrica dedicada à produção de sistemas de armazenamento em Itajaí (SC). A nova planta ampliará a capacidade produtiva da WEG em sistemas de armazenamento para até 2 GWh ao ano. Segundo a Auropa Energy Research, a eletrificação da economia e a expansão de cargas intensivas, como data centers - que podem atingir cerca de 4 GW até o fim da década -, exigirão adição de aproximadamente 120 GW de capacidade instalada até 2040 e investimentos próximos de R$ 350 bilhões. “O crescimento da demanda elétrica está recolocando a expansão da oferta e da flexibilidade no centro da agenda do setor”, diz Rodrigo Borges, diretor executivo and country lead da consultoria no Brasil, que estima uma alta da demanda de 2,9% ao ano até 2030. Mesmo após a contratação de 19,5 GW no leilão deste ano, a Aurora avalia que o país ainda terá necessidade adicional de cerca de 12 GW de potência firme em 2030. “Nesse cenário, as baterias devem assumir um papel cada vez mais relevante”, diz Borges. “Uma adoção mais ampla poderia não apenas reforçar a segurança de suprimento como também reduzir o curtailment das renováveis em até 50%, além de mitigar a volatilidade dos preços ao longo do dia”.
Baterias podem destravar negócios
Primeiro leilão de armazenamento está previsto para dezembro
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