Nas primeiras eleições diretas após o fim da ditadura, Lula, líder de uma agremiação que ainda não completara uma década, passou longe do radar no primeiro turno. Em 1989, a ameaça aos senhores do poder não era o sapo barbudo, mas o ex-governador Leonel Brizola. A ida do sindicalista à segunda volta marcaria o início de uma nova rivalidade. A manipulação pela Rede Globo do debate entre Lula e Fernando Collor, em favor do “caçador dos marajás”, seria a Pedra de Roseta de sucessivas intervenções dos meios de comunicação no processo eleitoral.
Em 2002, Lula, favorito, enfrentou a desconfiança pela falta de experiência administrativa. Seu principal adversário, embora eminência de uma legenda que havia levado o Brasil às cordas e ao racionamento de energia, era apresentado como o demiurgo da nação. Nascia ali uma das fábulas mais persistentes da crônica política brasileira, o “preparo” de José Serra. Tamanha era a devoção que não surpreenderia se um desses colunistas que expressam o pensamento dos patrões defendesse uma estrela Michelin para um pão na chapa servido pelo tucano. Em 2006, a farsa da pilha de dinheiro do dossiê dos aloprados, um conluio entre a imprensa “profissional” e um delegado da Polícia Federal denunciado por esta revista, impediu a vitória do petista no primeiro turno.















