Eleições 2026
No domingo 16, o presidente Lula dará início à sua sexta e derradeira campanha presidencial em seu berço político. A caminho de completar 81 anos de idade, o petista não escolheu por acaso a Vila Euclides, palco da maior greve dos metalúrgicos, entre 1979 e 1980, e mais simbólico movimento de resistência à ditadura. Lula quer lembrar aos eleitores, em especial aos mais jovens, que ele e o PT vicejaram sob a bandeira da contestação, da crítica ao sistema, que a extrema-direita hoje tenta capturar. “É como se a gente estivesse fazendo um giro e voltando, na história, para o começo de tudo”, resume Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha em São Paulo.
Em 1979, antes que as fotografias das arquibancadas e do gramado do estádio tomados por dezenas de milhares de operários entrassem para a história, o jeito foi improvisar. A Vila Euclides ainda não era o emblema nacional das greves do ABC. Lula ainda não era Lula. A multidão que já não cabia no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, se espalhava pela rua, e Nelson Campanholo, uma das lideranças sindicais, percebeu a necessidade de um lugar apropriado para abrigar tantos trabalhadores. “Vamos para a Vila Euclides.” Como não havia palanque nem estrutura preparada, a saída foi colocar uma mesa em cima de uma caminhonete e seguir até o estádio, a poucos minutos da sede do sindicato. O megafone não foi esquecido. A multidão não apareceu na Vila Euclides, porém, de uma hora para outra. “A gente apanhou muito na porta de fábrica”, lembra Campanholo, hoje com 87 anos. Muitos trabalhadores amassavam os panfletos e jogavam fora. Para conquistá-los, os companheiros arrancavam Lula de casa às 3 da madrugada. “Era preciso estar diante das fábricas antes dos ônibus do primeiro turno de serviço.”










