Naquele que deve ser seu último discurso aceitando uma candidatura à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva expôs sua condição de líder da esquerda brasileira que busca manter relevância enquanto lida com a noção de legado e a falta de uma sucessão organizada.

Na convenção do PT neste domingo (2) em São Paulo estava o narcisista usual dos palanques. A primeira metade de sua fala, de improviso, abusou do tom íntimo e autocentrado do "Lulinha da dona Lindu", que tudo venceu.

Lula observa sua foto como criança na camiseta de Janja, durante a convenção do PT em SP - Miguel Schincariol/AFP

A hagiografia acompanha a carreira do petista, de resto única. Até uma foto sua como criança foi parar na camiseta de Janja, primeira-dama resgatada pelo marido do papel de acessório de palco —uma escorregada da organização, admoestada pelo próprio presidente.

A digressão de Lula, falando bem de si mesmo foi longe, com citações a episódios históricos que não interessavam a ninguém na plateia. O controle, porém, foi retomado quando passou a ler o roteiro inicial.