Presidente tratou apenas lateralmente da segurança pública, que deve ser um dos principais focos dos adversários na campanha 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin em convenção do PT em São Paulo — Foto: Edilson Dantas/ O GLOBO O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou transparecer, durante a convenção realizada pelo PT neste domingo em São Paulo, a sua angústia com a necessidade de apresentar algo novo à população para pleitear um quarto mandato à frente do país. Mesmo assim, o petista deixou de lado propostas concretas. Lula optou por discursar de improviso durante mais de uma hora. Alternou a fala entre passagens de sua trajetória política e diagnósticos de problemas do país. As críticas a Flávio Bolsonaro, candidato do PL, também ficaram em segundo plano. O longo discurso de Lula contrastou com a superprodução preparada pelo partido para tentar dar um ar mais dinâmico ao evento. Como costuma repetir em quase em todas as suas falas, o petista atacou as elites e disse que foi apenas em seu governo e no de Getúlio Vargas que os trabalhadores, enfim, conquistaram direitos plenos. Lula avisou que irá tratar do programa de governo no dia 16, quando a campanha começa oficialmente. Reconheceu que será necessário “dizer ao povo o que a gente vai fazer” e afirmou que não quer ser “só o presidente do Bolsa Família”. De acordo com aliados, nos bastidores, o presidente já vem manifestando intensa preocupação em poder mostrar na campanha algo que sinalize para o futuro. A possibilidade de ter uma proposta que indique um legado ao país é considerada um antídoto contra a chamada fadiga de material, que Lula enfrenta por estar há quase 40 anos disputando eleições presidenciais. Parte da população, principalmente os jovens, enxerga o atual presidente como um político antigo. Segundo pesquisa Datafolha divulgada no dia 24, o petista é rejeitado por 46% da população. Em uma tentativa de responder a essa percepção, Lula prometeu que, caso eleito, vai “brigar”, ser ”mais ousado”, enfrentar as emendas parlamentares e aposentar a versão “paz e amor”. No discurso deste domingo, o petista recorreu a anotações em uma folha de papel para anunciar cinco compromissos que guiarão o seu eventual quarto mandato: resolver o papel da educação no desenvolvimento do país, criar um programa de cuidado para idosos, fazer com o que o Brasil tire proveito da exploração de terras raras, investir na indústria de defesa e promover a transição energética. Ao longo da fala de uma hora, abordou apenas lateralmente a questão da segurança pública, uma das principais preocupações da população de acordo com as pesquisas. Antes havia avisado que quem está no governo precisa ter cuidado porque a população pode se perguntar por que está sendo prometido agora algo que não foi feito em quatro anos. A segurança deve ser uma das principais armas usadas pelos adversários para atacar Lula. A omissão do presidente sinaliza que a estratégia da campanha do PT para lidar com essa tema ainda não está definida.
Análise: Lula revela em convenção angústia com necessidade de apresentar novidades, mas deixa propostas concretas de lado
Presidente tratou apenas lateralmente da segurança pública, que deve ser um dos principais focos dos adversários na campanha








