Petista apresentou o atual mandato como período de reconstrução e atacou o adversário; candidato do PL explorou a imagem familiar e criticou a economia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Flávio Bolsonaro estrearam neste sábado no horário eleitoral gratuito na televisão — Foto: Reprodução/Globoplay Os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) usaram o primeiro programa eleitoral na televisão, exibido na tarde deste sábado, para apresentar estratégias distintas. Enquanto o petista retomou a própria trajetória e prometeu novos avanços em um eventual quarto mandato, o senador buscou ampliar o apoio entre as mulheres e concentrou críticas na segurança pública e na economia. Lula, que encerrou o bloco, abriu seu espaço com ataques ao adversário. A campanha apresentou uma espécie de “currículo” de Flávio e mencionou as denúncias de “rachadinha” em seu antigo gabinete, a homenagem a Adriano da Nóbrega, apontado como chefe de milícia, e o pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Ao fim do trecho, classificou o senador como “o pior dos Bolsonaro”. Na outra parte do programa, Lula recorreu à própria biografia e leu uma carta dirigida ao “Lula de 1979”, em referência ao período em que liderava greves de metalúrgicos em São Bernardo do Campo, em São Paulo. A peça retomou momentos de sua trajetória política e destacou a defesa da democracia e da soberania nacional, e procurou apresentar o presidente como alguém capaz de enfrentar grupos poderosos e o sistema de privilégios. "Agradeço a Deus por ter sido generoso comigo. Chego a essa eleição mais forte, mais preparado do que nunca", afirmou Lula. O programa apresentou o atual mandato como um período de reconstrução do país e defendeu que um novo governo seria necessário para ampliar as entregas. Foram citados o controle da inflação, a geração de empregos e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. "A gente reconstruiu o Brasil, mas ainda não está satisfeito, porque o Brasil está pronto para muito mais", declarou o petista, em referência ao slogan "O Brasil pronto para mais". Entre os compromissos mencionados estiveram o fim da escala de trabalho 6x1, o estímulo às empresas de tecnologia e o fortalecimento da indústria. Lula também defendeu a soberania nacional, enquanto a campanha afirmou que estavam em jogo o combate às facções criminosas e ao crime organizado. A campanha ainda reservou espaço para políticas voltadas às mulheres. A primeira-dama Janja da Silva participou da propaganda para abordar medidas do governo nessa área, enquanto Lula prometeu intensificar o enfrentamento à violência contra a mulher. Flávio Bolsonaro, por sua vez, abriu o programa contrapondo o que chamou de "Brasil do Lula" ao "Brasil real". O senador afirmou que o adversário mostraria cenas positivas e responsabilizaria outras pessoas pelos problemas do país, enquanto sua campanha trataria das dificuldades enfrentadas pela população. O candidato citou o domínio de facções criminosas, o medo da violência, o fechamento de empresas, o endividamento das famílias e a alta dos preços. Ao falar sobre a perda do poder de compra, afirmou que "até a pizza o povo está tendo que parcelar" e mencionou a redução da quantidade de produtos nas embalagens. "Vou falar do Brasil real, do Brasil que a gente vive, do Brasil que está dominado pelas facções, em que as pessoas nunca tiveram tanto medo", disse. Boa parte dos quatro minutos e 20 segundos de Flávio, no entanto, foi dedicada à sua vida pessoal. De olho no eleitorado feminino, grupo em que o bolsonarismo enfrenta maior resistência, ele falou sobre a mãe, Rogéria Bolsonaro, a esposa, Fernanda, e as filhas, Luísa e Carol. Flávio afirmou ter herdado da mãe sua visão de mundo e sensibilidade. O programa também exibiu imagens do relacionamento com Fernanda e do nascimento das filhas do casal. A esposa procurou apresentá-lo como uma versão menos radical do bolsonarismo. "Reeduquei ele. Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado", disse Fernanda. O senador afirmou ainda que "o Brasil só vai vencer se as mulheres forem mais fortes" e prometeu valorizar policiais, combater o crime e fortalecer as mulheres. Ao fim, declarou ter se preparado durante toda a vida para disputar a Presidência. Lula teve cinco minutos e 31 segundos no bloco, o maior tempo entre os presidenciáveis, enquanto Flávio ficou com quatro minutos e 20 segundos. Ronaldo Caiado (PSD), com dois minutos e dois segundos, e Augusto Cury (Avante), com 35 segundos, também participaram da propaganda.