Candidato do PL afirma que 'lá em casa quem manda são elas' e explora violência, facções e endividamento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro afirma que vai aceitar resultado de eleição, mas pede mais 'transparência' em urna eletrônica — Foto: Reprodução O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, usou suas primeiras inserções no rádio e na televisão nesta sexta-feira para se apresentar ao eleitorado, explorar referências à própria família e fazer um aceno direto às mulheres. Em duas das três peças de 30 segundos que foram ao ar, e que também serão exibidas na televisão, o senador menciona a mulher, Fernanda, e as filhas, Luiza e Carol. O ex-presidente Jair Bolsonaro também aparece como referência, embora sem ser citado nominalmente. Flávio faz críticas à situação do país, sobretudo nas áreas de segurança e economia, mas evita ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A estratégia contrasta com a adotada pelo petista, que levou ao ar uma inserção dedicada a atacar nominalmente o adversário e classificá-lo como “o pior dos Bolsonaros”. As peças de Flávio mostram uma tentativa de apresentar o candidato para além da condição de filho do ex-presidente e reforçam um movimento da campanha para reduzir resistências entre o eleitorado feminino. Na inserção mais voltada às mulheres, o candidato menciona também a mãe ao falar sobre as figuras que ajudaram a moldar sua personalidade. — Todo mundo conhece o meu pai, né? Mas, ó, minhas filhas, minha esposa, minha mãe também me fizeram ser assim, do jeito que eu sou. Então, gente, lá em casa quem manda são elas. Ainda bem que é assim — afirma. Na sequência, Flávio associa o aceno ao slogan “O Brasil vai vencer”, adotado por sua campanha. — O Brasil só vai ser melhor, só vai vencer, se as mulheres forem mais fortes e vencerem cada vez mais. A tentativa de aproximação com as mulheres é considerada estratégica pela campanha diante da dificuldade de Flávio nesse segmento do eleitorado. O entorno do candidato tem discutido formas de reduzir sua rejeição entre as eleitoras e de construir uma imagem própria, com características diferentes das associadas ao pai. Outra das inserções é dedicada à apresentação pessoal do candidato. Flávio começa com uma mensagem dirigida também a quem não está no campo político bolsonarista e faz uma crítica à situação atual do país, sem responsabilizar nominalmente Lula ou seu governo. — Você pode estar de um lado ou de outro, mas todo mundo concorda que o Brasil não está bom do jeito que está. A gente pode mudar essa história. Eu vou mostrar como a gente vai fazer isso. Vencer o crime e vencer esse sufoco que ninguém aguenta mais. Em seguida, o senador apresenta informações pessoais: — O meu nome é Flávio Bolsonaro. Tenho 45 anos. Sou advogado e empresário. Casado com a Fernanda, pai da Luiza e da Carol. E candidato à Presidência da República. A terceira inserção é a que faz a referência mais explícita a Jair Bolsonaro. O ex-presidente, novamente, não é mencionado pelo nome. — Você conhece meu pai, mas sabe de quem eu também sou filho? Eu sou filho do Brasil. Somos todos irmãos — diz Flávio. Na mesma peça, o candidato concentra as críticas em dois dos temas que a campanha pretende explorar na disputa: segurança pública e situação financeira das famílias. Flávio fala em “facções livres nas ruas”, contrapõe a situação ao “povo preso dentro de casa” e menciona o endividamento. — E, assim como eu, você também não está satisfeito? Um Brasil da violência, das facções livres nas ruas e o povo preso dentro de casa e todo mundo endividado. Eu quero ser o presidente para a gente vencer tudo isso juntos. Embora as críticas à situação do país atinjam indiretamente o governo, as três primeiras inserções de Flávio não citam Lula nem trazem ataques diretos ao presidente. Também ficaram de fora, neste primeiro momento, temas que a campanha do candidato do PL pretende usar para desgastar o petista ao longo da disputa, como as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Campanha de Lula chama Flávio de 'pior dos Bolsonaros' Do outro lado da disputa, a campanha de Lula adotou uma estratégia mais agressiva já nas primeiras inserções. Uma das peças levadas ao ar pelo petista é inteiramente dedicada a Flávio e enumera episódios da trajetória do candidato do PL para questionar sua confiabilidade. — Conheça o currículo de Flávio Bolsonaro. Iniciou carreira como funcionário fantasma de um gabinete em Brasília. Denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo da rachadinha. Homenageou o líder do maior grupo de matadores de aluguel do Rio de Janeiro. Foi flagrado pela Polícia Federal pedindo R$ 134 milhões no escândalo do Banco Master. Não dá para confiar nesse sujeito. Flávio, o pior dos Bolsonaros — diz a inserção da campanha petista. A escolha de Flávio segue a estratégia traçada pela campanha para a largada da propaganda eleitoral, com uma apresentação mais leve do candidato e a tentativa de fixar sua biografia antes de ampliar o confronto direto com o adversário petista. Segurança pública e dificuldades econômicas aparecem como os principais problemas citados nas primeiras peças, enquanto a família é usada para humanizar a imagem do candidato e sustentar o aceno ao eleitorado feminino.
Em primeiras inserções, Flávio Bolsonaro usa família para acenar a mulheres, cita pai e evita ataque direto a Lula
Candidato do PL afirma que 'lá em casa quem manda são elas' e explora violência, facções e endividamento









