Candidato gravou em supermercado e prepara uso de mensagens obtidas pela PF envolvendo filho do presidente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ) — Foto: Daniel Ramalho/AFP O candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gravou nesta quarta-feira peças para o horário eleitoral em um mercado e prepara a entrada do caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na propaganda de sua campanha à Presidência. A estratégia combina dois dos principais flancos que o QG pretende explorar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): a situação econômica das famílias e as investigações que envolvem o filho do petista. As gravações desta quarta-feira começam a mostrar o tom que a campanha pretende levar à televisão. No mercado, Flávio usou o cenário para falar de economia e de questões que atingem diretamente o bolso dos eleitores. Já o caso Lulinha deve entrar na frente de combate à corrupção, a partir das revelações recentes da Polícia Federal sobre a relação do empresário com Roberta Luchsinger e a interlocução dela com integrantes do entorno do presidente. Mensagens encontradas pelos investigadores mostram Lulinha e Roberta tratando de negócios e citam encontros reservados com integrantes do governo. O filho de Lula é investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência e nega irregularidades. Em uma das conversas, Roberta afirma a Lulinha que os dois trabalhavam em “outro nível” e escreve que “nosso futuro é Suíça”. Em outro diálogo, a empresária menciona Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete do presidente, e um almoço com “Berger”, identificado pelos investigadores como Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde. Lulinha responde que aquela seria a terceira reunião com Marcola e relata que o auxiliar de seu pai pedia que os encontros fossem reservados. A PF também identificou que Roberta enviou a Marcola uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação. A empresária havia sido contratada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, para tentar viabilizar o negócio com a pasta. A operação não prosperou. Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o documento, mas afirmou que não o encaminhou. Ao levar o assunto para a propaganda eleitoral, a campanha de Flávio tenta transportar para a televisão um caso que já começou a ser explorado pela oposição no Congresso e nas redes sociais. Parlamentares passaram a cobrar novas diligências depois da divulgação das mensagens, com pedidos para que Lulinha seja ouvido e para que as provas reunidas nas investigações sejam preservadas. Flávio também já entrou diretamente na ofensiva. Nas redes, o candidato repercutiu as revelações envolvendo o filho do adversário e passou a usá-las para atacar Lula. A decisão de incluir o episódio no horário eleitoral amplia essa estratégia e leva o caso para uma parcela do eleitorado que não necessariamente acompanha a disputa política pelas redes sociais. Mercado vira cenário para críticas à economia Na outra frente das gravações desta quarta-feira, Flávio escolheu um supermercado como cenário para tratar de temas ligados ao custo de vida e ao poder de compra. A aposta é usar situações cotidianas para apresentar as críticas que o candidato vem fazendo à condução da economia pelo governo. O discurso econômico ganhou espaço nas primeiras agendas de Flávio após o início oficial da campanha. Em Belo Horizonte, nesta terça-feira, o senador atribuiu a Lula o aumento do endividamento das famílias e afirmou que a política econômica do governo levou brasileiros a recorrer ao crédito e enfrentar juros que não conseguem pagar. — A consequência da gastança dele foi atrair as famílias brasileiras para dívida, pagando juros que não têm mais condição de pagar — afirmou. A escolha do mercado permite à campanha transformar esse argumento em imagens e associar a crítica econômica à experiência do eleitor no momento das compras. O QG pretende explorar no horário eleitoral temas de impacto direto no cotidiano, ao mesmo tempo em que apresenta propostas e busca estabelecer uma comparação entre Flávio e Lula. A televisão também é vista pela campanha como uma oportunidade de ampliar o alcance de Flávio para além do público que já acompanha o senador nas redes sociais e comparece aos atos de campanha. A estratégia é combinar uma mensagem voltada a problemas do dia a dia com ataques ao governo e casos que possam produzir desgaste para o presidente.