Quando a operadora ferroviária espanhola lançou uma concorrência para construir até 40 novos trens capazes de atingir 350 km/h, a maior fabricante da Europa ficou de fora.
A Alstom, segunda maior fabricante de trens do mundo e conhecida pelos trens de alta velocidade TGV, confirmou que não apresentou uma proposta até o prazo de junho estabelecido pela Renfe. A empresa decidiu que o prazo de entrega de pouco mais de três anos era apertado demais e que as metas de velocidade para os novos trens eram ambiciosas demais, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto.
Mas a decisão de não disputar um contrato estimado em 1,8 bilhão de euros (R$ 10,8 bilhões) foi incomum —e um sinal das complexidades envolvidas na conquista de grandes contratos ferroviários.
Projetos de trens de alto valor podem levar muitos meses, às vezes anos, para serem concedidos às fabricantes, que, ainda assim, precisam se comprometer com prazos de entrega de vários anos e preços definidos. As especificações frequentemente mudam ao longo do processo, enquanto as aprovações de segurança e regulatórias podem ser demoradas e complexas.
Essas condições, por sua vez, pressionam os balanços das empresas, afetados por grandes necessidades de capital, oscilações no capital de giro e cronogramas de pagamento irregulares.










