Segundo eles, aproveitar vantagens competitivas, como energia limpa e biodiversidade, é um essencial para que o país se insira num cenário em que a interdependência dos países caminha para um outro formato 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Para economistas, embaixadores e executivos de empresas, as fontes de energia limpa e a biodiversidade do país são vantagens que não podem ser desperdiçadas na nova economia global — Foto: Eraldo Peres/AP O fim da globalização como um grande ciclo econômico global abre um espaço único para o Brasil ganhar dinamismo, em um cenário no qual as mudanças climáticas são inevitáveis, de acordo com especialistas que participaram de evento no Rio. Aproveitar as vantagens competitivas, como energia limpa e biodiversidade, é um caminho essencial para que o Brasil se insira em um cenário em que a interdependência dos países caminha para um outro formato, avaliam. Em painel do evento "Congresso Sustentável", realizado pelo Centro Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), os especialistas destacaram que a reorganização da economia global criou oportunidades para que o Brasil explore as potencialidades e se coloque na mesa junto com as grandes potências. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas se tornaram realidades inevitáveis que forçam os países a buscar soluções para mitigar impactos e reduzir emissões. O economista e imortal da Academia Brasileira de Letras Eduardo Gianetti da Fonseca destacou que, com o fim da globalização, os países passaram a buscar diversificação e segurança em áreas como alimentos e energia, assim como nações amigáveis, bem posicionadas no cenário geopolítico. Para Gianetti, a biodiversidade brasileira é um trunfo para "um mundo em crise". Ele explicou que o fim da globalização teve início com a crise de 2008, com o colapso das hipotecas subprime americanas, avançou com a pandemia, em 2020, e teve o "golpe de misericórdia" com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, declarando guerra comercial com diversos países. Gianetti alertou para a polarização política no Brasil, que pode desviar o debate de temas importantes. "Podemos fazer de nossos ativos ambientais e culturais um diferencial para entrar de maneira corajosa no cenário global", disse Gianetti. Roberto Azevedo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), avalia que o Brasil terá que reduzir distâncias entre o que é potencial e o que é real na economia. Terá também que se mostrar indispensável, uma vez que em um cenário polarizado, o ideal é que não se escolham lados. Azevedo ressaltou que a governança mundial terá que ser recriada e o Brasil vai precisar estar à mesa, nesta condição de ser essencial para os demais países. Efeito data centers Ele destacou que a energia será um elemento fundamental na equação geopolítica, uma vez que a demanda aumentará fortemente nos próximos anos. Como exemplo, ele destacou que os Estados Unidos terão, nos próximos quatro anos, uma demanda adicional de energia equivalente a um Brasil, para atender data centers voltados à inteligência artificial. Ele destacou ainda que a saída de Trump do governo americano, com o fim do mandato, não significa que o cenário mudará. "Essa é uma nova realidade que temos que nos adaptar", disse. O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, disse que o Brasil conseguiu chegar unido na conferência global do clima do ano passado, com a intenção de ser um país de soluções. Destacou que as implementações de medidas não dependem de ministérios ligados ao clima, nem de consensos que são obrigatórios nas negociações de metas e propostas. "Com as tecnologias que temos e as regras que negociamos, temos elementos para implementar [as ações propostas]", disse Lago. Solange Ribeiro, vice-presidente de regulação, institucional e sustentabilidade da Neoenergia, destacou que o Brasil possui uma combinação de fatores energéticos que não se reproduz em outros países, como interligação de todo o território nacional por meio de uma malha de mais de 170 mil quilômetros de extensão, combustíveis sustentáveis e minerais críticos. Para ela, transformar o potencial de energia limpa em produtividade requer ampliar o consumo no país, com a entrada de novas cargas, como data centers. Solange ressaltou que clima e geopolítica passaram a ser elementos considerados nos planos de investimentos das empresas. No caso dos eventos climáticos extremos, a executiva salientou que esse novo quadro mudou a forma das empresas projetarem os novos aportes, com foco na adaptação dos ativos existentes. "A estrutura investida no passado não atende aos atuais critérios", disse a executiva.
Fim da globalização abre oportunidade única para Brasil ganhar dinamismo, dizem especialistas
Segundo eles, aproveitar vantagens competitivas, como energia limpa e biodiversidade, é um essencial para que o país se insira num cenário em que a interdependência dos países caminha para um outro formato








