Nessa semana, li que apenas 34% dos brasileiros evangélicos concordam com a possibilidade da morte assistida. Este número é o menor entre as religiões pesquisadas. Escrevo como psicóloga e como cristã e vou refletir apenas sobre a situação de pessoas com doenças terminais, com perspectiva de muito sofrimento. Não se trata de defender a eutanásia em outros contextos.

Primeiramente, pretendo explicar a quem não é evangélico por que a maior parte de nós tem essa perspectiva; em seguida vou me dirigir a evangélicos como eu, e apresentar irmãos da fé que defendem a liberdade para quem quiser seguir esse caminho.

Tentei imaginar as razões para tal rejeição da morte assistida. Em primeiro lugar deve ser porque nós, evangélicos, consideramos a vida como presente de Deus, recebido no início da nossa existência. Logo não nos cabe devolver este presente. Deveríamos deixar Deus decidir sobre o término da vida.

Outro motivo para a rejeição da morte assistida está no papel central do sofrimento de Cristo na nossa fé. Sua caminhada até a cruz é fonte de redenção, auxílio e consolo em tempos atribulados. Ele, que passou por dores, prometeu nos fortalecer em nossas aflições.

Pode soar leviano afirmar tais verdades da fé longe de pessoas em grande sofrimento e distante de pacientes condenados à vida vegetativa. Será que ainda é coerente com o amor cristão pregá-las para famílias como a de Silas Jr., 29 anos, portador de doença degenerativa em estado terminal, que mesmo com a dosagem máxima diária de morfina sofria dores constantes?